As primeiras reações de Todo Mundo em Pânico (Scary Movie) já circulam online, e o começo está longe de empolgar. O novo capítulo da franquia traz de volta a família Wayans, acerta em parte da nostalgia e tropeça justamente no que mais precisava funcionar: a mira das piadas.
Rir alto ou só sentir saudade dos anos 2000?
Os Wayans viram o principal argumento a favor
A recepção inicial ficou entre o morno e o negativo. Mesmo assim, quase todo comentário simpático ao filme passa pelo mesmo ponto: os Wayans de volta dão uma energia que a franquia tinha perdido há anos.
Faz sentido. Os dois primeiros Todo Mundo em Pânico seguem como os mais lembrados justamente porque misturavam besteirol, timing rápido e uma vontade quase infantil de debochar de tudo.
No novo filme, essa energia ainda aparece. Há quem elogie o volume de gags, o ritmo acelerado e a falta de vergonha de empilhar piada atrás de piada, mesmo quando metade delas não encaixa.

Quando a paródia tenta rir de tudo
O problema começa aí. Parte da crítica descreve o filme como uma metralhadora de referências sem filtro, mirando terror recente, memes, cultura pop e assuntos sociais no mesmo pacote.
Funciona? Às vezes. Quando a paródia acerta o alvo, a reação parece ser de risada imediata. Quando erra, sobra a sensação de humor datado, piada espremida e aquele constrangimento que a franquia sempre flertou, mas agora sem a mesma leveza.
Também apareceram comentários sobre piadas envolvendo identidade e cultura LGBTQIA+, recebidas de forma bem desigual. Para uns, isso entra no caos típico da série. Para outros, soa preguiçoso e até mesquinho.
Não é um detalhe pequeno. Comédia de referência envelhece rápido, e o gênero paródia depende muito mais de precisão do que de excesso.

20% no Rotten Tomatoes acende o alerta
A pontuação inicial publicada no Rotten Tomatoes abriu em 20%. Para um filme que tenta vender o retorno de uma marca popular, é um começo pesado.
Claro: nota de estreia pode subir ou cair conforme entram mais críticas. Mas largar tão baixo coloca pressão no boca a boca, ainda mais num tipo de filme que depende de risada coletiva e recomendação rápida de fim de semana.
Tem outro dado importante nessa conta: o mercado americano trabalha com projeção de abertura entre US$ 45 milhões e US$ 50 milhões. É um valor relevante para comédia de terror, só que esse número perde força depressa se o segundo fim de semana desaba.
Filme assim consegue ignorar a crítica por alguns dias. Por um mês inteiro, já é outra história.
Nostalgia ajuda. Nova geração é outra conversa
A franquia nasceu em 2000 e ajudou a transformar Pânico em matéria-prima de zoeira mainstream. Muita gente no Brasil cresceu vendo essas paródias na TV a cabo, no DVD e nas reprises da madrugada.
Só que 2026 cobra outra velocidade. O público mais novo consome humor em vídeo curto, referência instantânea e piada que morre em duas semanas. Se o filme chega com cara de colagem atrasada, a nostalgia segura os veteranos, mas não resolve o resto.
Esse contraste aparece nas primeiras impressões. Há quem compre a bagunça pelo carinho com a marca. Há quem enxergue um filme preso entre homenagem aos anos 2000 e desespero para parecer atual.

Sem data no Brasil e até o nome ainda está em aberto
Por aqui, o detalhe prático pesa mais do que a nota. Ainda não há distribuidora, data de estreia, lançamento em streaming ou informação de dublagem para o Brasil.
Também vale separar as coisas: “Todo Mundo em Pânico 6” é a forma que a imprensa usa para identificar o projeto, mas isso não equivale a um título oficial brasileiro fechado. No mercado nacional, o nome consolidado segue sendo Todo Mundo em Pânico.
Então o cenário, hoje, é esse: crítica dividida, Rotten Tomatoes baixo e nenhuma rota brasileira anunciada. A marca ainda é forte o bastante para chamar atenção por aqui, mas ficou uma dúvida bem clara no ar: os Wayans voltaram para reviver a franquia ou só para mostrar o quanto ela envelheceu?