Patrick Gibson e o 007 que The OA já tinha testado

Por Leandro Lopes 09/06/2026 às 08:01 5 min de leitura Atualizado: 09/06/2026
Patrick Gibson e o 007 que The OA já tinha testado
5 min de leitura

Patrick Gibson virou assunto por um motivo grande: ele é o novo James Bond de 007 First Light. Mas a pista estava lá quase dez anos atrás, em The OA, série cult da Netflix em que ele entregou justamente o tipo de fragilidade que esse Bond mais jovem pede.

Tem um detalhe importante logo de cara. Gibson não é o novo Bond do cinema. Ele é o Bond do game da IO Interactive, numa história de origem separada do futuro reboot dos filmes.

Obra Formato Papel de Patrick Gibson Situação no Brasil
The OA Série Steve Winchell Disponível na Netflix
007 First Light Game James Bond Sem data divulgada no Brasil até agora

Antes do terno, ele era Steve

Em The OA, Patrick Gibson vive Steve Winchell, o adolescente explosivo que começa como problema ambulante e vira peça emocional da série. Não era um papel fácil. O personagem precisava ser agressivo, vulnerável e meio perdido ao mesmo tempo.

Gibson segurou isso bem. Ele tinha energia de garoto que reage antes de pensar, mas também aquele olhar de quem está sempre um passo do colapso. Para um Bond de origem, funciona demais.

The OA estreou na Netflix em dezembro de 2016, criada por Brit Marling e Zal Batmanglij. Foram duas temporadas até o cancelamento em 2019, mesmo com plano narrativo maior, pensado para algo perto de cinco partes.

Patrick Gibson e o 007 que The OA já tinha testado — foto de divulgação
Patrick Gibson e o 007 que The OA já tinha testado — foto de divulgação (Reprodução)

E é aí que a conexão fica interessante. Bond, em geral, chega pronto. Steve não. Ele apanha, erra, se humilha e cresce. Se a IO Interactive quer um 007 mais humano, Gibson já mostrou esse registro antes.

Por que a escolha combina com 007 First Light

007 First Light não está vendendo um superagente pronto para a missão. A proposta é outra: mostrar um Bond mais novo, ainda em construção. Menos pose. Mais impulso.

Isso afasta o game da imagem final de Daniel Craig em 007 – Sem Tempo para Morrer. E também foge da conversa sobre quem vai assumir os filmes. São trilhas diferentes, mesmo que o nome James Bond embaralhe tudo.

A IO Interactive, estúdio de Hitman: World of Assassination, sabe trabalhar infiltração, improviso e tensão silenciosa. Num projeto assim, escalar um ator que passa dureza e insegurança sem soar artificial parece uma decisão bem calculada.

Vale lembrar que Gibson não surgiu do nada. Depois de The OA, ele passou por títulos como Sombra e Ossos e Dexter: Pecado Original. Só que foi em Steve que ele deixou mais claro esse lado emocional que agora volta com força.

James Bond de Patrick Gibson no videogame 007 First Light
James Bond de Patrick Gibson no videogame 007 First Light (Reprodução)

The OA continua sendo um cancelamento que dói

The OA pertence àquela prateleira ingrata da Netflix: séries que criaram fandom fiel, tentaram algo fora da curva e morreram cedo. Está no mesmo campo de conversa de Sense8 e 1899, embora com uma identidade bem mais espiritual e estranha.

Estranha no bom sentido. A série mistura ficção científica, mistério e drama sobrenatural sem pedir licença. Às vezes parece quebra-cabeça. Em outros momentos, vira quase experiência de fé.

Nem todo mundo compra a proposta. Só que quem compra vira defensor instantâneo. Por isso a lembrança de Patrick Gibson ali pesa mais do que parece. Não foi só “um papel antigo na Netflix”. Foi um papel central numa série que ainda rende debate anos depois.

No Brasil, isso tem um efeito prático. Muita gente vai conhecer o ator agora por causa de 007 First Light e acabar esbarrando em The OA no catálogo. É o tipo de redescoberta que a Netflix adora, mesmo quando o título já está cancelado há tempos.

Brit Marling e elenco de The OA reunidos em cena enigmática da segunda temporada
Brit Marling e elenco de The OA reunidos em cena enigmática da segunda temporada (Reprodução)

Na Netflix brasileira, The OA ainda está viva

The OA segue disponível na Netflix no Brasil, com duas temporadas no catálogo. A página oficial da série continua ativa no serviço e pode ser acessada na plataforma.

Para o público daqui, esse é o caminho mais fácil para entender por que Patrick Gibson chamou atenção cedo. A série tem opção de áudio e legendas em português no catálogo brasileiro, o que ajuda bastante numa história cheia de simbolismo e conversa torta.

Maratona rápida? Nem tanto. São 16 episódios no total, mas é aquele tipo de série que pede atenção. Quem entra esperando ação de espionagem vai tomar um susto. Quem topa um sci-fi mais místico pode encontrar uma das apostas mais peculiares da Netflix dos anos 2010.

007 First Light continua cercado de curiosidade e, até aqui, sem lançamento confirmado no Brasil com data fechada. O mais curioso é isso: antes de muita gente ouvir Patrick Gibson como Bond, ele já tinha mostrado em The OA que sabia interpretar alguém quebrado antes de virar perigoso.