The Curse virou uma daquelas séries que dividem a sala no primeiro episódio. Na Paramount+, ela junta sátira social, humor constrangedor e paranoia num pacote que lembra The White Lotus e Black Mirror, mas com um veneno bem próprio.
Resumo rápido
- Série tem 93% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes
- Minissérie da Paramount+ reúne Emma Stone, Nathan Fielder e Benny Safdie
- Trama acompanha casal “eco-friendly” após uma suposta maldição
O detalhe mais curioso não está só na nota alta da crítica. Está no choque com o público, que reagiu de forma bem mais fria. Não é difícil entender o motivo.
Não é Black Mirror com resort de luxo
Comparar The Curse com The White Lotus e Black Mirror faz sentido. Só que a série não copia nenhuma das duas. Ela pega a crítica de classe de uma e o mal-estar da outra, depois espreme tudo até ficar desconfortável.
A história acompanha um casal que vende uma imagem impecável. Eles são “do bem”, sustentáveis e prontos para viralizar. Na prática, usam causa social como marca pessoal enquanto gravam um reality de reforma.
É aí que entra a tal maldição. Depois de um encontro com uma criança, a relação começa a azedar de um jeito estranho, quase surreal. O thriller aqui é psicológico, não de perseguição ou susto barato.
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Título | The Curse |
| Formato | Minissérie live-action |
| Criadores | Benny Safdie e Nathan Fielder |
| Elenco principal | Emma Stone, Nathan Fielder, Benny Safdie, Nizhonniya Austin |
| Gêneros | Comédia dramática, sátira social, thriller psicológico |
| Temporadas | 1 |
| Episódios | 10 |
| Estreia | 2023 |
| Produção | A24, Showtime e Paramount+ |
| Plataforma no Brasil | Paramount+ |
| Nota da crítica no Rotten Tomatoes | 93% |
| Status | Minissérie |
A página da série no Rotten Tomatoes mostra esse retrato sem maquiagem: crítica comprou a proposta, parte do público não entrou no jogo.

Emma Stone segura o caos, mas Nathan Fielder define o tom
Emma Stone é o rosto mais fácil de vender. Só que o motor criativo da série passa por Nathan Fielder. Quem viu Nathan for You ou A Repetição já conhece a praia dele: comédia de constrangimento, aquele humor que faz você rir e se encolher ao mesmo tempo.
Em The Curse, isso cresce para algo mais pesado. A câmera parece vigiar os personagens. Os enquadramentos criam distância. Tem cena que parece filmada por alguém escondido atrás da parede.
Esse voyeurismo não está ali por firula. Ele reforça a ideia de performance permanente. Ninguém em The Curse parece viver de verdade. Todo mundo está atuando para o parceiro, para a câmera ou para a própria consciência.
Por que tanta gente torceu o nariz
Porque a série não quer agradar. Simples assim.
Muita gente entrou esperando um drama “de prestígio” mais fácil de consumir, talvez com o brilho ácido de The White Lotus. Em vez disso, encontrou silêncio, constrangimento, personagens difíceis de aturar e um final que deixou bastante gente irritada.
O humor também pega no nervo. Não é piada de timing rápido. É desconforto esticado até o limite. Às vezes funciona como uma versão mais seca de Succession. Em outros momentos, parece um episódio amaldiçoado de Além da Imaginação.
Tem mais um fator. A série bate forte em eco-gentrificação, que é quando discurso sustentável vira embalagem bonita para exclusão social. Esse tema é central e ajuda a explicar por que The Curse incomoda tanto.
O que ela tem de The White Lotus e o que não tem
As duas séries olham para gente rica e moralmente torta. As duas usam sátira para mostrar privilégio, cinismo e culpa performática. Até aí, a ponte está montada.
A diferença é o formato da pancada. The White Lotus é coral, mais aberta e mais fácil de maratonar. The Curse fecha a porta, diminui o ar e te obriga a encarar duas pessoas em ruína lenta.
Já a comparação com Black Mirror funciona mais pelo clima. Existe paranoia, estranheza e uma sensação de que o mundo está levemente fora do eixo. Só que a série não depende de tecnologia. O horror vem do comportamento humano.
Paramount+ já tem a minissérie no Brasil
The Curse está disponível no catálogo brasileiro do Paramount+, que também concentra outras produções do braço premium do estúdio. Na vitrine do serviço, ela passa longe de ser a série mais óbvia. Talvez por isso tanta gente tenha deixado passar.
Quem assina no Brasil encontra os 10 episódios prontos para maratona. A plataforma lista a série em sua biblioteca oficial, e você pode conferir direto no site da Paramount+ Brasil. A disponibilidade de áudio pode variar conforme o aplicativo e o dispositivo.
Se você gosta de sátira elegante e confortável, talvez seja melhor procurar outra coisa. Agora, se a ideia é ver Emma Stone e Nathan Fielder desmontando a própria imagem em público, The Curse é uma das minisséries mais estranhas do streaming recente — e continua dividindo mais gente do que muita estreia nova.