Antes de Yellowstone, Sicario já tinha a cara de Taylor Sheridan

Por Rafael Duarte 28/06/2026 às 19:36 5 min de leitura
Antes de Yellowstone, Sicario já tinha a cara de Taylor Sheridan
5 min de leitura

Onze anos depois, Sicario continua sendo o filme que melhor explica como Taylor Sheridan virou um império na TV. Antes de Yellowstone, Special Ops: Lioness e Landman, ele já escrevia sobre fronteira, crime organizado, agentes moralmente tortos e um Estado que nunca parece totalmente limpo.

Resumo rápido

  • Sicario estreou em 18/09/2015, com roteiro de Taylor Sheridan
  • O filme tem 92% no Rotten Tomatoes e US$ 84,9 milhões mundiais
  • No Brasil, costuma circular em Prime Video, Apple TV e YouTube Filmes

Não é exagero chamar de divisor de águas. Sheridan já tinha voz própria ali, mas Sicario foi o momento em que essa voz ficou impossível de ignorar.

Antes de Yellowstone, já estava tudo em Sicario

A história joga Emily Blunt no meio da guerra aos cartéis entre Texas, Arizona e a fronteira com o México. Só que o filme nunca vende heroísmo fácil. Cada operação parece legal no papel e podre na prática.

Esse DNA virou marca de Sheridan. Território como campo de batalha, violência seca, homens do governo agindo no cinza e instituições que operam mais por pragmatismo do que por justiça.

Benicio Del Toro e Josh Brolin ajudam a fixar essa sensação. Um puxa o filme para o trauma. O outro, para o cinismo operacional. Emily Blunt fica no centro, como os olhos do público, tentando entender uma máquina que já nasceu quebrada.

Emily Blunt como Kate Mercer olha cansada após garantir a cena do crime em Sicario.
Emily Blunt como Kate Mercer olha cansada após garantir a cena do crime em Sicario. (Reprodução)

Mas qual série de Sheridan mais parece Sicario? Muita gente responde Yellowstone de cara. Eu iria por outro caminho.

A série que Sicario mais antecipa não é Yellowstone

Yellowstone virou a cara pública do autor, mas o parente mais próximo de Sicario está em Mayor of Kingstown e Special Ops: Lioness. Ali, Sheridan volta ao jogo de operações sujas, poder institucional e moralidade apodrecida.

Landman também entra nessa linhagem, só trocando cartel por petróleo e lobby. O cenário muda. A lógica, não. Sempre existe alguém protegendo território, dinheiro e influência com métodos bem mais brutais do que o discurso oficial admite.

Até projetos citados mais recentemente, como Marshals e Frisco King, seguem rondando o mesmo mapa mental. Sheridan construiu carreira olhando para fronteiras. Geográficas, políticas e morais.

Villeneuve pesa tanto quanto Sheridan

Seria preguiçoso tratar Sicario só como “o filme que revelou a fórmula” do roteirista. O longa funciona nesse nível porque Denis Villeneuve segura a direção com mão pesada e zero enfeite.

A violência não vem como espetáculo. Vem como desgaste. Como ameaça constante. A famosa tensão das cenas na fronteira parece filme de guerra, mas sem catarse. Você não sai aliviado. Sai contaminado.

Isso importa porque Sheridan, sozinho, não explica o impacto inteiro de Sicario. O texto entrega a espinha. Villeneuve transforma essa espinha em pesadelo controlado.

Benicio del Toro apontando uma arma em Sicario.
Benicio del Toro apontando uma arma em Sicario. (Reprodução)

Ficha técnica de Sicario

Item Detalhe
Título Sicario
Título original Sicario
Direção Denis Villeneuve
Roteiro Taylor Sheridan
Gênero Crime, thriller, ação e suspense
Elenco principal Emily Blunt, Benicio Del Toro, Josh Brolin, Jon Bernthal e Daniel Kaluuya
Estreia 18/09/2015
Duração 121 minutos
Distribuição Lionsgate
Produção Black Label Media, Thunder Road Pictures e Lionsgate
Classificação nos EUA R
Bilheteria EUA/Canadá US$ 46,9 milhões
Bilheteria mundial US$ 84,9 milhões
Rotten Tomatoes 92%
Metacritic 82/100

Os números ajudam a colocar o peso do filme no lugar certo. Sicario não foi um blockbuster gigantesco, mas teve prestígio de sobra para mudar a carreira do roteirista.

No Rotten Tomatoes, os 92% da crítica mostram que o impacto não foi só conversa de cinéfilo. No Metacritic, o 82/100 reforça a mesma leitura: era cinema de gênero feito em nível alto.

Por que o filme ainda segura essa fama

Porque ele envelheceu bem. Melhor: envelheceu ficando mais atual. O tema da fronteira continua quente. A discussão sobre violência institucional, também. E Sheridan ainda passa a carreira inteira revisitando esse terreno.

Tem outro detalhe. Sicario é enxuto. São 121 minutos e nenhuma gordura. Em uma fase em que muita série estica conflito por oito episódios, o filme resolve tudo com precisão cirúrgica e deixa cicatriz.

Nem toda produção do chamado “Sheridanverse” acerta esse nível. Algumas séries dele têm força de ambiente, elenco e discurso, mas giram em falso no meio da temporada. Sicario, não. Ele entra, bate e sai.

Sicario segue rodando no Brasil

No Brasil, Sicario costuma aparecer em janelas de aluguel e compra no Prime Video, Apple TV e YouTube Filmes. A disponibilidade muda com frequência, mas o título segue fácil de encontrar por aqui.

A dublagem em português geralmente entra nessas plataformas quando o filme está licenciado. Se você conhece Sheridan mais pela TV, esse é o melhor lugar para entender de onde saiu a obsessão dele por poder, território e violência oficializada.

E tem um incômodo que fica depois da sessão: onze anos mais tarde, ainda dá para argumentar que Sicario continua sendo mais afiado do que boa parte do império televisivo que veio depois.

Trailer