BBC adapta livro de Kiki em série de 10 episódios

Por Marina Costa 16/06/2026 às 15:31 5 min de leitura Atualizado: 18/06/2026
BBC adapta livro de Kiki em série de 10 episódios
5 min de leitura

O Serviço de Entregas da Kiki (Kiki’s Delivery Service) vai virar série live-action na BBC, com um detalhe que muda bastante a conversa: a adaptação parte do livro de Eiko Kadono, não do clássico animado do Studio Ghibli. A primeira temporada está em desenvolvimento e terá 10 episódios de 30 minutos.

Resumo rápido

A roteirista confirmada é Irena Brignull, de Os Boxtrolls. Ainda não existe data de estreia, nem confirmação de distribuição no Brasil além da BBC.

Não é remake do filme do Ghibli

Esse é o detalhe mais importante da notícia. Muita gente vai bater o olho e pensar em um refilmagem do longa de 1989 dirigido por Hayao Miyazaki. Não é isso.

A nova série adapta o primeiro volume da obra de Eiko Kadono, publicado em 1985. Kiki continua sendo a bruxinha de 13 anos que sai de casa, vai para a cidade portuária de Koriko e tenta construir a própria vida com um serviço de entregas.

Mas será que muda tanto assim? Muda, sim. Um filme de duas horas precisa correr; uma temporada com 10 capítulos pode gastar tempo com rotina, silêncio e pequenos tropeços do amadurecimento.

Isso combina com o DNA da história. O charme de Kiki nunca esteve em grandes batalhas, e sim na vida cotidiana atravessada por magia.

Poster do filme animado O Serviço de Entregas da Kiki disponível na Netflix Brasil, com destaque para Kiki e Jiji
Poster do filme animado O Serviço de Entregas da Kiki disponível na Netflix Brasil, com destaque para Kiki e Jiji (Reprodução)

Quem está por trás da série

A BBC toca o projeto ao lado da BBC Studios Kids & Family, da Wheels in Motion e da Kadokawa. Só esse pacote já entrega o alvo: público familiar, infantojuvenil e fãs de fantasia leve.

Irena Brignull assina o roteiro. Ela trabalhou em Os Boxtrolls, animação indicada ao Oscar, e tem experiência com histórias que equilibram estranheza e afeto sem virar açúcar demais.

Também pesa o nome de Eiko Kadono. A autora venceu o Prêmio Hans Christian Andersen, um dos reconhecimentos mais importantes da literatura infantil, e vendeu milhões de cópias da série ao redor do mundo.

Ficha técnica Detalhes confirmados
Título O Serviço de Entregas da Kiki
Obra-base Primeiro livro de Eiko Kadono
Autora Eiko Kadono
Formato Série live-action
Emissora BBC
Produtoras BBC Studios Kids & Family, Wheels in Motion e Kadokawa
Roteirista Irena Brignull
Episódios 10
Duração 30 minutos por episódio
Protagonista Kiki, 13 anos
Ambientação Koriko, cidade portuária
Status Em desenvolvimento
Filme relacionado O Serviço de Entregas da Kiki, Studio Ghibli, 1989

Quarenta anos depois, Kiki ainda faz sentido

O livro começou em 1985. Quatro décadas depois, a personagem segue atual por um motivo simples: sair de casa cedo, errar em público e descobrir como trabalhar ainda é um rito brutal.

Kiki fala de independência sem discurso pronto. Fala de insegurança, de cansaço e daquele medo de decepcionar os outros quando se é muito novo.

Na TV, isso pode render melhor do que no cinema. Koriko é o tipo de cenário que pede tempo de tela: vizinhos, clientes, pequenos conflitos, dias ruins e o esforço de achar um lugar no mundo.

A BBC também entra numa onda clara de adaptações de propriedades japonesas para um público global. One Piece mostrou que dá para traduzir um universo querido sem copiar quadro por quadro; agora o desafio é outro, bem mais delicado.

O maior desafio é fugir da sombra de Miyazaki

Vamos ser francos: esse projeto nasce comparado ao filme de 1989. E é uma comparação pesada, porque a animação do Ghibli virou referência de delicadeza visual, ritmo calmo e emoção sem exagero.

Qualquer decisão da série vai ser medida contra essa memória. Elenco, figurino, cidade, gato, trilha, tom. Tudo.

Ao mesmo tempo, existe uma brecha boa aí. Como a base declarada é o livro, a produção não precisa repetir enquadramentos famosos nem tentar imitar o traço do estúdio. Se insistir nisso, perde.

Se apostar numa Koriko mais física, mais vivida e menos idealizada, pode encontrar personalidade própria. Esse caminho parece mais inteligente do que brincar de cosplay caro do Ghibli.

Na Netflix, o clássico segue fácil de achar no Brasil

Enquanto a série nova não ganha data, o filme animado de 1989 continua disponível na Netflix brasileira com dublagem e legendas em português. Para muita gente, vai ser a porta de entrada mais prática — ou a revisão obrigatória antes de comparar.

Já a produção da BBC ainda não teve plataforma confirmada por aqui. Então, por enquanto, o cenário é esse: o clássico está acessível no Brasil, a série ainda está só no anúncio e o maior teste nem é técnico. É descobrir se alguém consegue voltar para Koriko sem virar refém do próprio clássico.

Mais informações oficiais sobre a produção podem aparecer nos canais da BBC e da Netflix Brasil. Até lá, fica a pergunta que realmente interessa: como adaptar uma história tão querida sem mexer no que fez Kiki durar 40 anos?