Rick and Morty usa o episódio 4 da 9ª temporada para mexer numa peça antiga do personagem. Em A Ricker Runs Through It, Rick volta a aparecer bêbado, degradado e funcionando no puro piloto automático. Não é só gag escatológica: é a série lembrando que a melhora dele sempre foi frágil.
Resumo rápido
- Episódio 4 mostra Rick chegando bêbado e perdendo acesso ao próprio sistema
- Morty descobre que Reese é uma sentinela robótica criada por Rick
- Rick and Morty segue disponível na Max no Brasil com dublagem
| Ficha técnica | Detalhe |
|---|---|
| Título | Rick and Morty |
| Título original do episódio | A Ricker Runs Through It |
| Formato | Série animada adulta |
| Criadores | Justin Roiland e Dan Harmon |
| Elenco principal de vozes | Ian Cardoni, Harry Belden, Chris Parnell, Sarah Chalke e Spencer Grammer |
| Gênero | Ficção científica, comédia e aventura |
| Plataforma original | Adult Swim |
| Onde assistir no Brasil | Max |
| Temporada citada | 9 |
| Episódio citado | 4 |
| Status | Em exibição em 2026 |
| Dublagem em português | Sim |
O episódio 4 joga Rick de volta ao fundo do poço
O sinal mais óbvio está na superfície. Rick chega em casa bêbado, urina nas calças, quase apaga e continua virando vodka como se nada tivesse acontecido. A cena é grotesca de propósito.
Só que o episódio não usa isso como detalhe solto. A bebedeira tem consequência prática: Rick perde acesso ao próprio sistema de segurança depois de um bender alcoólico. Morty, então, descobre que “Reese” nunca foi um amigo real.
Na verdade, Reese é uma sentinela robótica criada pelo próprio Rick. A função dela é simples e triste: ajudar o inventor a recuperar acesso quando ele esquece senhas no meio da autossabotagem. É piada, mas é diagnóstico também.

Esse tipo de construção sempre esteve no DNA da série. Rick cria tecnologia absurda para resolver problemas que ele mesmo fabrica. Quando a origem do caos volta a ser a garrafa, Rick and Morty resgata uma versão antiga do protagonista sem precisar fazer discurso.
A série não abandonou esse lado — só pisou menos nele
Muita gente ficou com a impressão de que Rick tinha sido “corrigido” nas temporadas mais recentes. Faz sentido. A série passou a investir mais em culpa, família, trauma e nas consequências emocionais do que ele faz.
Mas isso nunca apagou o alcoolismo do personagem. Só mudou o peso em cena. Antes, o vício aparecia com mais frequência como piada suja. Depois, passou a funcionar como sintoma de um cara brilhante, funcional e completamente quebrado.
A 9ª temporada, pelo menos nesse episódio, deixa isso claro. Rick continua capaz de momentos mais humanos, mas a redenção dele não é linear. Aliás, nunca foi.
Quem acompanha animação adulta já viu essa estrada em outras séries. BoJack Horseman tratava recaída como ferida aberta. Archer prefere o cinismo. Rick and Morty fica no meio: ri do desastre, mas não finge que ele sumiu.

Comédia suja, tragédia rápida
É aí que o episódio acerta. Ele não vira um capítulo pesado sobre dependência química, nem faz de conta que o assunto é só enfeite. O roteiro usa o humor físico e o absurdo de ficção científica para empurrar uma ideia bem menos engraçada.
Rick ainda é o pior inimigo de Rick.
Essa é uma das melhores manobras da série desde o começo. Um episódio parece standalone, quase descartável, e de repente reativa um traço central do protagonista. No papel, parece repetição. Na prática, funciona como lembrete.
Porque o problema nunca foi só Rick beber. O problema é o que a bebida representa dentro da série: descontrole, fuga e um jeito conveniente de não encarar o estrago que ele causa. Quando a 9ª temporada puxa isso de volta, ela mexe na estrutura do personagem.
Recaída real ou reciclagem de conflito?
A dúvida boa está aqui. O episódio 4 aprofunda Rick ou só gira de novo a mesma engrenagem? Dá para defender os dois lados.
Se os próximos capítulos usarem essa recaída como efeito dramático, a temporada ganha peso. Se tudo ficar no terreno da gag e do reset, vira só mais uma lembrança de que a série sabe apertar o mesmo botão quando precisa.
Mesmo assim, há um mérito claro. Em 2026, quando muita série longa tenta amaciar protagonista tóxico até ele ficar irreconhecível, Rick and Morty faz o contrário. Tira a maquiagem e mostra a peça defeituosa outra vez.

Rick and Morty segue na Max no Brasil
No Brasil, Rick and Morty continua disponível na Max, com dublagem e legendas em português. A série também mantém a ligação com a Adult Swim, casa original da animação nos EUA. A página oficial da franquia segue ativa no site da Adult Swim.
Para quem assiste por aqui, o ponto não é só disponibilidade. É contexto. A dublagem brasileira já virou parte da identidade da série, e esse tipo de episódio funciona melhor quando o tom entre piada e ruína não escapa na adaptação.
O episódio 4 não traz uma grande virada de lore. Traz algo mais desconfortável: a confirmação de que Rick talvez nunca tenha saído desse lugar. A 9ª temporada ainda vai dizer se isso é recaída de verdade ou apenas mais uma noite ruim — e essa diferença muda tudo.