Zach Cregger é o nome que Resident Evil precisava?

Por Rafael Duarte 13/06/2026 às 12:56 5 min de leitura
Zach Cregger é o nome que Resident Evil precisava?
5 min de leitura

O novo Resident Evil com Zach Cregger já nasce com um peso diferente. Depois de Noites Brutais e A Hora do Mal, o diretor virou a escolha mais interessante que Hollywood poderia fazer para tentar, enfim, acertar o tom dos games no cinema.

Resumo rápido

Vale chamar o cara de “rei do horror” agora? Calma. Mas a verdade é simples: a Sony finalmente entregou Resident Evil para alguém que sabe criar medo de verdade, não só explosão e fanservice.

Desta vez, a escolha faz sentido

Zach Cregger não virou nome forte do terror por acaso. Noites Brutais, de 2022, custou cerca de US$ 4,5 milhões e arrecadou perto de US$ 45 milhões no mundo.

Não foi só dinheiro. O filme mostrou uma qualidade rara: ele sabe conduzir o público para um lado e puxar o tapete sem parecer truque barato. Em terror, isso vale ouro.

Depois veio A Hora do Mal, lançado em 2025. Com Julia Garner, Josh Brolin, Austin Abrams, Amy Madigan e Benedict Wong, o longa reforçou a imagem de Cregger como autor de horror, não apenas um acerto isolado.

Resident Evil Zombie brain
Resident Evil Zombie brain (Reprodução)

É por isso que a aposta no reboot faz barulho. Resident Evil não precisava de um diretor “seguro”. Precisava de alguém com estilo, controle de atmosfera e coragem para deixar a franquia mais suja, estranha e claustrofóbica.

Ficha rápida do novo Resident Evil

Dado Informação confirmada
Título Resident Evil
Título original Resident Evil
Direção Zach Cregger
Roteiro Zach Cregger e Shay Hatten
Base Franquia de games da Capcom
Cenário Raccoon City
Ligação principal Clima associado a Resident Evil 2
Elenco confirmado Austin Abrams, Zach Cherry, Paul Walter Hauser e Kali Reis
Personagem confirmado Austin Abrams vive Bryan
Estúdio / distribuição Sony Pictures / Columbia Pictures
Status Em produção
Previsão Lançamento em 2026

O detalhe mais animador é a volta para Raccoon City. Esse recorte puxa o filme para o coração da franquia, especialmente o terror urbano e o colapso policial vistos em Resident Evil 2.

Quem conhece os jogos da Capcom sabe a diferença. Quando Resident Evil funciona melhor, ele mistura pânico, isolamento e monstros grotescos com sensação real de sobrevivência. A própria série segue destacada no portal oficial da franquia da Capcom.

O cinema errou a mão mais de uma vez

A fase live-action anterior teve seis filmes, lançados entre 2002 e 2017. A saga com Milla Jovovich fez dinheiro e criou identidade própria, mas virou outra coisa: mais ação futurista, menos horror de mansão, delegacia e corredor apertado.

Funciona como entretenimento pipoca? Em vários momentos, sim. Como adaptação fiel ao espírito dos jogos, nem perto.

O problema continuou em Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City, de 2021. O longa de Johannes Roberts tentou se aproximar dos games, mas saiu com crítica fraca e bilheteria abaixo do esperado.

Ali faltou pulso. Tinha referência, tinha criatura, tinha cenário conhecido. O que não tinha era ritmo para susto, tensão de verdade e personagens fortes o bastante para segurar a história.

Filme Período Caminho escolhido Resultado
Saga live-action original 2002 a 2017 Ação exagerada e ficção Popular, mas distante dos games
Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City 2021 Fanservice e retorno visual Recepção fraca
Novo Resident Evil 2026 Terror mais pé no chão Grande teste da franquia

O que muda com Zach Cregger

A grande diferença está no olhar. Cregger costuma filmar o horror como algo próximo, desconfortável e imprevisível. Não é o terror de monstro aparecendo a cada cinco minutos. É o terror de espaço errado, silêncio longo e ameaça fora de quadro.

Isso combina demais com Resident Evil 2. Delegacia vazia, luz falhando, corredor estreito e sensação de que qualquer porta pode esconder um desastre. É esse tipo de medo que o cinema da franquia quase sempre trocou por tiroteio.

Também ajuda o fato de o reboot mirar um protagonista central. Menos núcleo espalhado. Menos cara de fase de videogame. Mais foco dramático.

Mas existe risco. Resident Evil é uma marca enorme, e franquia grande costuma puxar diretor para um meio-termo sem personalidade. Jordan Peele não passou por isso porque trabalha com material original. Cregger agora vai jogar em outro campeonato.

Sem data no Brasil, por enquanto

Até aqui, o novo Resident Evil segue previsto para 2026, mas ainda não tem data fechada no Brasil. Também não há plataforma de streaming confirmada, nem informação oficial sobre dublagem em português.

Para o público brasileiro, o mais concreto hoje é o retorno da franquia a uma fase mais próxima dos jogos. E isso pesa bastante, porque os títulos recentes da Capcom têm presença forte por aqui em consoles e PC, com localização em português em vários lançamentos principais.

Se Cregger tiver liberdade para fazer um terror de verdade, o reboot pode ser o primeiro filme de Resident Evil em muitos anos a capturar o medo que os games sempre venderam. Se o estúdio suavizar demais, vira só mais uma visita barulhenta a Raccoon City.

Trailer