Quartet of Time leva Zelda para outro palco

Por Rafael Duarte 30/06/2026 às 03:46 5 min de leitura
Quartet of Time leva Zelda para outro palco
5 min de leitura

Quartet of Time não é um jogo novo de Zelda. É um álbum de cordas inspirado em The Legend of Zelda: Ocarina of Time, produzido pela ZREO: Second Quest e gravado pelo quarteto ATLYS, com faixas chegando primeiro ao streaming antes do disco completo.

Resumo rápido

Se você leu o anúncio achando que era remake, spin-off ou jogo surpresa, pode frear. A novidade do aniversário de 40 anos de Zelda é musical — e conversa direto com quem trata Ocarina of Time como religião.

Não é exagero. A trilha do jogo de 1998 é uma das mais reconhecíveis da Nintendo, da “Gerudo Valley” à “Zelda’s Lullaby”. Levar isso para quarteto de cordas é uma ideia simples no papel. Na prática, exige muito cuidado.

Link tocando o Ocarina em The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D
Link tocando o Ocarina em The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D (Reprodução)

Não é remake. É música

Quartet of Time foi anunciado como um álbum de arranjos instrumentais de Ocarina of Time para string quartet, ou seja, quarteto de cordas. Violinos, viola e violoncelo no lugar da orquestra grandiosa ou da trilha original do Nintendo 64.

A execução fica com o ATLYS. Os arranjos e a produção são da ZREO: Second Quest, herdeira direta do cultuado Zelda Reorchestrated, projeto que ganhou respeito entre fãs por tratar a música da franquia com ambição quase profissional.

Algumas faixas já estavam avançadas antes do anúncio. O plano confirmado é soltar músicas avulsas nas plataformas primeiro e deixar o álbum completo para depois. Estratégia esperta. Testa o interesse e mantém o projeto vivo por mais tempo.

“Ocarina of Time é o motivo de eu ter virado músico.”

Fisher também explicou que o projeto já vinha sendo desenvolvido havia algum tempo. O anúncio só saiu agora porque a revelação do remake de Ocarina of Time abriu a janela perfeita para isso.

Ficha técnica de Quartet of Time

Item Detalhe
Título Quartet of Time
Tipo Álbum musical instrumental
Obra-base The Legend of Zelda: Ocarina of Time
Formato Quarteto de cordas
Produção e arranjos ZREO: Second Quest
Performance ATLYS
Distribuição Streaming com singles antes do álbum completo
Franquia The Legend of Zelda
Contexto do anúncio 40º aniversário de Zelda
Jogo original Nintendo 64, lançado em 1998
Link dormindo na tapeçaria do trailer do Ocarina.
Link dormindo na tapeçaria do trailer do Ocarina. (Reprodução)

O peso de Ocarina of Time ainda é absurdo

Tem jogo importante. E tem jogo que molda carreira. Ocarina of Time entra no segundo grupo. Não só pela revolução no 3D, mas pela forma como transformou música em linguagem de gameplay.

A ocarina não era enfeite. Era mecânica, narrativa e memória afetiva ao mesmo tempo. Por isso um álbum desses chama atenção mesmo sem ter controle na mão. A trilha já nasceu maior que o próprio cartucho.

No mercado de música de games, esse tipo de projeto deixou de ser nicho minúsculo faz tempo. Concertos como The Legend of Zelda: Symphony of the Goddesses e o 30th Anniversary Concert provaram que trilha de videogame vende ingresso, stream e vinil.

A diferença aqui é o tamanho da proposta. Em vez de orquestra bombástica, Quartet of Time vai para a intimidade. Menos espetáculo de palco. Mais detalhe, respiração e arranjo fino.

Isso combina muito com Ocarina of Time. Várias músicas do jogo funcionam melhor quando você tira o excesso e deixa só a melodia em evidência. “Song of Storms”, por exemplo, pode soar ainda mais inquieta num formato enxuto.

Outro detalhe importante: esse anúncio não vem da Nintendo como produto central de catálogo, mas também não tem cara de homenagem improvisada. ZREO carrega um histórico forte nesse pedaço da cultura de fãs, e o ATLYS dá peso técnico à execução.

A própria Nintendo mantém Zelda como uma das vitrines da marca, algo fácil de perceber na página oficial da franquia. Quando aparece um projeto assim em ano de aniversário, ele não passa batido.

Link tocando um ocarina e Sheik tocando uma harpa em arte para The Legend of Zelda: Ocarina of Time
Link tocando um ocarina e Sheik tocando uma harpa em arte para The Legend of Zelda: Ocarina of Time (Reprodução)

Streaming no Brasil ainda sem página

Hoje, Quartet of Time ainda não está disponível no Brasil. O anúncio confirmou lançamentos em streaming antes do álbum completo, mas as plataformas específicas e a data de estreia das primeiras faixas ainda não apareceram publicamente.

o mais provável é que a distribuição chegue aos serviços de música usados aqui, como Spotify, Apple Music e YouTube Music. Só que, por enquanto, isso segue sem página brasileira ativa e sem pré-save divulgado.

Para quem acompanha trilha de games, a espera faz sentido. Projetos assim costumam viver de lançamento gradual, single por single, até ganhar corpo como álbum fechado. Funciona melhor para gerar conversa e medir o tamanho real do interesse.

O leitor brasileiro precisa só alinhar a expectativa: não há dublagem, não há jogo novo e não há compra em eShop envolvida. É um lançamento musical. E, se acertar os arranjos, pode virar uma das homenagens mais bonitas que Ocarina of Time recebeu em anos.

Agora falta a parte decisiva: quais faixas vão sair primeiro. Se o projeto abrir com “Zelda’s Lullaby”, é homenagem. Se vier com “Gerudo Valley”, vira teste de fogo na mesma hora.

Trailer