Apple TV+ acerta com Masters of the Air?

Por Leandro Lopes 20/05/2026 às 19:00 5 min de leitura
Apple TV+ acerta com Masters of the Air?
5 min de leitura

Masters of the Air voltou ao radar como aquela maratona de fim de semana que a Apple TV+ queria ter no catálogo faz tempo. São 9 episódios, escala de cinema e o peso de Steven Spielberg e Tom Hanks por trás — mas a série funciona melhor quando troca o discurso grandioso pela brutalidade no ar.

Se você gostou de Irmãos de Guerra e The Pacific, faz sentido olhar para ela agora. Abaixo, eu destrincho o que a minissérie entrega, onde ela acerta e por que ainda divide um pouco a crítica.

Ficha rápida

Item Detalhe
Título Masters of the Air
Formato Minissérie limitada
Episódios 9
Gênero Drama de guerra, histórico, biográfico
Criadores John Shiban, John Orloff e Graham Yost
Direção Inclui episódios dirigidos por Cary Joji Fukunaga
Produtores executivos Steven Spielberg, Tom Hanks e Gary Goetzman
Base literária Masters of the Air: America’s Bomber Boys Who Fought the Air War Against Nazi Germany, de Donald L. Miller
Elenco principal Austin Butler, Callum Turner, Anthony Boyle, Barry Keoghan, Nate Mann e Ncuti Gatwa
Estreia 26/01/2024
Final 15/03/2024
Plataforma no Brasil Apple TV+
Idioma no Brasil Dublagem em português e legendas em pt-BR
Rotten Tomatoes Cerca de 85%
Metacritic Cerca de 69/100

Nove episódios, mas não é série de fundo

A história acompanha o 100th Bomb Group, apelidado de “Bloody Hundredth”, durante as missões de bombardeio sobre a Europa ocupada pelos nazistas. O foco está nos pilotos e tripulações de B-17, com combate aéreo, perdas e trauma psicológico.

Não é série para deixar rodando enquanto você mexe no celular. Cada episódio pede atenção, porque o número de personagens é alto e o peso histórico também.

A Apple TV+ vende isso como drama de guerra de prestígio. Correto. Só que o melhor adjetivo aqui é outro: imersivo.

Main cast of Masters of the Air gathered at a World War II airbase, official promotional photo
Main cast of Masters of the Air gathered at a World War II airbase, official promotional photo (Reprodução)

Spielberg, Tom Hanks e o fim de um ciclo de 23 anos

Masters of the Air não nasceu do nada. Ela fecha a trilogia de guerra produzida por Spielberg e Tom Hanks, iniciada com Irmãos de Guerra em 2001 e seguida por The Pacific em 2010.

Isso pesa. E pesa porque as duas séries anteriores viraram régua para TV de guerra.

Série Ano Foco Formato
Irmãos de Guerra 2001 Companhia Easy na Europa Minissérie
The Pacific 2010 Campanha do Pacífico Minissérie
Masters of the Air 2024 Guerra aérea sobre a Europa Minissérie

Na prática, Masters of the Air amplia a escala. Sai a infantaria no barro e entra a tensão claustrofóbica dentro do avião, com fumaça, metal tremendo e morte chegando de todos os lados.

Quer um paralelo rápido? Pense em O Resgate do Soldado Ryan menos pé no chão e mais céu em colapso.

O que ela acerta de verdade

O dinheiro está na tela. As cenas aéreas têm ambição de filme grande, com som agressivo, fotografia fria e uma sensação constante de fragilidade.

Quando a série te coloca dentro de uma missão, funciona demais. Hélice, gelo, tiro antiaéreo, cabine apertada. Tudo parece perto demais.

A escolha do elenco também ajuda. Austin Butler segura o carisma, Callum Turner traz peso dramático e Barry Keoghan aparece com aquela energia imprevisível que quase sempre melhora a cena.

Aerial scene from Masters of the Air with B-17 bombers under anti-aircraft fire above the clouds
Aerial scene from Masters of the Air with B-17 bombers under anti-aircraft fire above the clouds (Reprodução)

Outro acerto está na recusa de romantizar a guerra. A série insiste no custo moral dos bombardeios e no desgaste mental da tripulação. Não é heroísmo limpo. Nunca foi.

Esse recorte aproxima a minissérie de filmes como Nada de Novo no Front e, em menor escala, de Dunkirk. Menos discurso, mais pressão física.

Nem tudo encaixa

A crítica gostou, mas sem coro unânime. Os números mostram isso: cerca de 85% no Rotten Tomatoes e 69 no Metacritic.

Está longe de ser uma rejeição. Também não é consenso de obra-prima.

O problema mais citado faz sentido: a série tem personagens demais para apenas 9 episódios. Alguns ganham força tarde, outros entram e saem sem o impacto que deveriam ter.

O ritmo também oscila. Há capítulos tensos e excelentes, seguidos por episódios mais expositivos. Quem entra esperando a consistência cirúrgica de Irmãos de Guerra talvez sinta essa diferença.

Ainda assim, chamar a série de irregular não apaga sua força visual. Ela pode falhar em conexão emocional constante, mas quase nunca falha em escala.

Na Apple TV+, com dublagem no Brasil

Masters of the Air está completa no catálogo brasileiro da Apple TV+. São 9 episódios, com dublagem em português e legendas em pt-BR disponíveis.

Isso importa porque a série pede atenção, mas não exige um compromisso de meses. Em dois ou três dias, dá para fechar a história inteira.

Dentro da própria Apple, ela conversa bem com Greyhound, outro título de guerra ligado a Tom Hanks. A diferença é que Masters of the Air mira mais alto em ambição visual e em densidade dramática.

Se o seu fim de semana pede ação militar com cara de superprodução, ela entrega. A dúvida que fica é outra: isso basta para colocá-la no mesmo patamar de Irmãos de Guerra, ou ela vai continuar sendo a terceira peça menos lembrada da trilogia?