Em Jujutsu Kaisen, Gojo já estava condenado antes do 236

Por Rafael Duarte 29/06/2026 às 15:26 5 min de leitura
Em Jujutsu Kaisen, Gojo já estava condenado antes do 236
5 min de leitura

Jujutsu Kaisen (Jujutsu Kaisen) mexeu no vespeiro de novo depois de Gege Akutami revelar quando decidiu o destino de Satoru Gojo. E o detalhe pesa: essa escolha teria nascido ainda no Arco do Incidente de Shibuya, bem antes do capítulo 236.

Resumo rápido

Atenção: spoilers do mangá abaixo.

O capítulo 236, lançado em setembro de 2023, mostrou a morte de Gojo na luta contra Ryomen Sukuna. Agora, a fala de Akutami em um seminário para novos artistas de mangá muda a leitura do momento: não foi decisão de reta final.

A decisão veio ainda no Incidente de Shibuya

Segundo o relato do seminário, Akutami já tinha definido esse desfecho durante o Arco do Incidente de Shibuya. Esse pedaço do mangá foi publicado entre outubro de 2019 e janeiro de 2021 na Weekly Shonen Jump, da Shueisha.

Isso coloca quase três anos entre a decisão e a execução no papel. Não é pouca coisa. Gojo caiu no capítulo 236, mas a ideia já estava rondando a obra bem antes.

O peso da revelação está aí. Muita gente tratou aquela morte como choque puro, quase uma martelada para incendiar rede social. Com essa nova informação, fica mais claro que Akutami estava montando o tabuleiro com antecedência.

Mas por que isso bate tão forte? Porque Gojo não era só o favorito de muita gente. Ele era a referência máxima de poder dentro de Jujutsu Kaisen.

Shibuya já tinha tirado Gojo do centro

Quem leu ou assistiu Shibuya sabe o tamanho da virada. É o arco em que Jujutsu Kaisen abandona de vez qualquer sensação de segurança e empurra os personagens para um cenário muito mais cruel.

Também é o momento em que a série prova uma coisa simples: com Gojo livre, o equilíbrio da história quebra. Ele resolve demais. Forte demais, carismático demais, grande demais para ficar disponível o tempo todo.

Shonen vive esse dilema. Quando aparece um personagem que funciona como atalho para toda crise, o autor costuma selar, afastar ou matar essa peça. Gojo entrou nesse grupo faz tempo.

Por isso Shibuya faz tanto sentido como ponto da decisão. O arco já desmonta a ordem antiga e obriga a trama a sobreviver sem aquela muleta absurda de força. Narrativamente, é quase o lugar óbvio para apertar esse gatilho.

Akutami já tinha sinalizado a própria lógica antes. Ele disse que usa mortes para causar impacto emocional nos leitores e chegou a cogitar um final em que apenas um do trio principal seguiria vivo.

Esse dado ajuda a enxergar o tom da obra sem romantização. Jujutsu Kaisen nunca foi uma série interessada em conforto. A prioridade de Akutami parece sempre ter sido consequência dramática, não fan service.

O capítulo 236 fica diferente com essa fala

Quando o capítulo 236 saiu, a reação foi imediata. Parte do fandom comprou o golpe e viu ali a queda mais brutal do mangá. Outra parte achou tudo apressado demais para um personagem desse tamanho.

Agora o debate muda de eixo. A pergunta deixa de ser “isso foi improviso?” e vira outra: o planejamento antigo foi bem executado? A resposta continua dividindo leitores, e provavelmente vai dividir por muito tempo.

Tem um detalhe importante aí. Planejar cedo não garante boa execução. Um autor pode ter a ideia perfeita anos antes e ainda tropeçar no jeito de entregá-la na página.

No caso de Gojo, a nova fala melhora a coerência do desenho geral da obra. Só não apaga a bronca de quem achou o capítulo seco demais, rápido demais ou frio demais para um adeus dessa escala.

Ficha rápida de Jujutsu Kaisen

Dado Informação
Título Jujutsu Kaisen
Autor Gege Akutami
Formato Mangá / anime
Editora japonesa Shueisha
Revista Weekly Shonen Jump
Editora no Brasil Panini
Serialização do mangá 2018 a 2024
Volumes 30
Gênero Ação, sobrenatural, fantasia sombria, shonen
Estúdio do anime MAPPA
Status do mangá Finalizado
Status do anime Em expansão, com novas temporadas anunciadas
Streaming no Brasil Crunchyroll, Netflix e Max, conforme janela
Dublagem em português Sim, no material já lançado

O mangá foi um dos grandes nomes da Shonen Jump no período recente. E Gojo, goste ou não, virou rosto de capa, meme, trend e vitrine comercial da franquia.

Isso deixa a decisão ainda mais ousada. Matar um personagem central já dói. Matar um personagem-âncora, pensado para puxar atenção até de quem não acompanha a série toda, é outro nível de risco.

No Brasil, a Panini publica o mangá, e o anime do estúdio MAPPA segue espalhado entre plataformas. A página oficial de Jujutsu Kaisen na Crunchyroll continua sendo a referência mais segura para acompanhar a disponibilidade por aqui.

No Brasil, a espera pelo anime ganhou outro peso

Para quem acompanha só a adaptação, essa revelação muda a expectativa. O spoiler do mangá já era conhecido por muita gente, claro. O novo ingrediente é saber que a queda de Gojo não nasceu no calor do momento.

Isso pressiona o anime de outro jeito. Quando esse trecho chegar com força total na tela, o público vai julgar não só a cena, mas todo o caminho até ela.

Hoje, as duas primeiras temporadas e Jujutsu Kaisen 0 estão em Crunchyroll, Netflix e Max no Brasil, com dublagem em português disponível nas janelas atuais. A 4ª temporada está marcada para 2027. Até lá, a pergunta fica no ar: o anime vai transformar uma decisão antiga em tragédia maior ainda ou reabrir a mesma guerra do capítulo 236?

Trailer