House of the Dragon: Passado de Criston Cole na 3ª temp.

Por Rafael Duarte 17/06/2026 às 13:36 4 min de leitura
House of the Dragon: Passado de Criston Cole na 3ª temp.
4 min de leitura

House of the Dragon está mexendo num personagem que parecia resolvido: Ser Criston Cole. A promoção da 3ª temporada indica que a HBO quer abrir mais o passado do cavaleiro vivido por Fabien Frankel — não para limpar a barra dele, mas para mostrar de onde veio tanta amargura.

Resumo rápido

  • Fabien Frankel indicou mais passado e nuance para Criston Cole
  • A série explorou menos a origem dele que a de outros rivais
  • A 3ª temporada deve revisitar lacunas e saltos de tempo importantes

Boa escolha. Criston sempre foi um dos personagens mais fáceis de odiar em Westeros, mas também um dos menos trabalhados. Enquanto Rhaenyra, Alicent, Aegon, Aemond e Daemon ganharam camadas, ele virou quase um símbolo ambulante de ressentimento.

Criston Cole saiu da sombra

No começo, ele parecia simples. Um cavaleiro talentoso, carismático e relativamente íntegro no entorno de Viserys e Rhaenyra. Depois, a série foi endurecendo esse rosto até transformá-lo num dos motores mais tóxicos da facção Verde.

Funciona como antagonista? Muito. Só que havia um buraco claro ali. A série mostrava o que Criston fazia, mas raramente parava para mostrar quem ele era antes de desandar de vez.

Isso pesa ainda mais porque House of the Dragon sempre gostou de vilões com rachaduras. Daemon é cruel, mas recebe charme. Aemond é brutal, mas ganha tragédia. Até Aegon teve espaço para exibir fragilidade.

Criston, não. Com ele, a câmera quase sempre preferiu o asco.

Criston de Fabien Frankel olhando pensativo enquanto está sentado em House of the Dragon temporada 3
Criston de Fabien Frankel olhando pensativo enquanto está sentado em House of the Dragon temporada 3 (Reprodução)

A série em poucas linhas

Dado Informação
Título House of the Dragon
Showrunner Ryan Condal
Base literária Fire & Blood, de George R. R. Martin
Universo As Crônicas de Gelo e Fogo / Westeros
Gênero Fantasia, drama político, épico medieval
Plataforma no Brasil Max
Temporadas disponíveis 2
Episódios lançados 18
Personagem em foco Ser Criston Cole
Ator Fabien Frankel
Função do personagem Lord Commander da Guarda Real e Mão do Rei
Elenco citado Emma D’Arcy, Olivia Cooke, Matt Smith, Tom Glynn-Carney, Ewan Mitchell
Rotten Tomatoes 1ª temporada com 93% de aprovação da crítica

Esse dado do Rotten Tomatoes ajuda a lembrar uma coisa: a série segue forte quando investe em conflito humano, não só em dragão voando e castelo queimando.

Agora a HBO quer mostrar o que faltava

O sinal mais interessante da 3ª temporada está aí. Fabien Frankel já indicou que Criston Cole deve ganhar mais contexto, com espaço para mexer no passado do personagem e nas lacunas que a série deixou abertas.

Tem duas frentes possíveis. A primeira é o período anterior à história principal, quando ele ainda não era esse homem consumido por frustração e fervor político. A segunda é o grande salto de tempo da 1ª temporada, que mudou muita coisa fora de cena.

Isso não muda o que ele virou. Muda a leitura.

Tem diferença. Redenção é pedir que o público perdoe. Contexto é só mostrar a ferida antes do golpe. Em House of the Dragon, esse tipo de movimento costuma deixar tudo pior — e melhor para a série.

Quem viu Game of Thrones reconhece a estratégia. Jaime Lannister começou como arrogante e repulsivo, depois ganhou espessura quando o roteiro expôs vergonha, trauma e contradição. Criston não é Jaime. Falta carisma, falta humor, falta autoconsciência. Mas a lógica de construção é parecida.

Nos livros ele assusta. Na TV, ele sangra

Em Fire & Blood, Criston Cole já é uma peça central da Dança dos Dragões. Ele aparece como estrategista duro, figura controversa e nome inevitável quando a guerra civil Targaryen começa a sair do controle.

A série manteve essa dureza, mas foi além num aspecto específico: transformou o personagem em estudo de frustração. Não é só ambição. É orgulho ferido, desejo reprimido e uma devoção que virou fanatismo.

Aí mora a parte mais interessante dessa releitura. Daemon é monstruoso, mas a série o vende com presença. Criston é monstruoso de um jeito menos sedutor. Ele incomoda porque parece real demais.

Um homem que se convence de que a própria dor autoriza crueldade política. Westeros está cheio disso.

Se a 3ª temporada realmente cavar esse passado, a guerra ganha outra textura. Não porque Criston fique mais simpático, e sim porque cada decisão brutal passa a carregar mais peso. O espectador entende o mecanismo sem precisar aliviar a sentença.

Na Max, o jogo segue sendo o personagem

A HBO sabe que

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