Novo filme de Gus Van Sant terá história real de modelo famoso

Por Leandro Lopes 10/06/2026 às 13:46 6 min de leitura
Novo filme de Gus Van Sant terá história real de modelo famoso
6 min de leitura

Resumo rápido

Nicholas Galitzine foi escalado para interpretar Hoyt Richards em um novo projeto biográfico dirigido por Gus Van Sant. A notícia ainda vem com mais silêncio do que detalhe, mas a combinação já chama atenção: um ator em alta, um personagem real cercado por fama e exploração e um diretor que raramente escolhe caminhos fáceis.

Tem cara de filme de prestígio? Tem. Só que ainda é cedo para vender isso como pacote fechado. Até aqui, o que existe publicamente é a escalação de Galitzine, a direção de Van Sant e a confirmação de que a história gira em torno de Richards.

O que já está confirmado

O anúncio mais concreto é simples: Galitzine será Hoyt Richards. Gus Van Sant dirige. E o projeto segue em desenvolvimento, sem título oficial divulgado.

Chamar de cinebiografia, hoje, faz sentido pelo tema. Mas não do jeito tradicional, com sinopse pronta e calendário na mesa. Faltam peças básicas: estúdio, roteirista, elenco de apoio e formato de lançamento.

Item Informação confirmada
Projeto Filme biográfico em desenvolvimento sobre Hoyt Richards
Protagonista Nicholas Galitzine
Personagem Hoyt Richards
Direção Gus Van Sant
Status Em desenvolvimento

Esse tipo de anúncio costuma nascer assim mesmo: primeiro o nome forte, depois o resto. A diferença é que aqui o nome forte não está só na frente das câmeras. Van Sant muda o peso do projeto.

Gus Van Sant em set de filmagem, foto de bastidores com monitor e equipe
Gus Van Sant em set de filmagem, foto de bastidores com monitor e equipe (Reprodução)

Quem foi Hoyt Richards

Hoyt Richards ficou conhecido como um dos primeiros grandes rostos masculinos da moda internacional. Em muita cobertura americana, ele aparece como o “primeiro supermodelo masculino do mundo”. É um rótulo chamativo, claro, mas ajuda a dimensionar o tamanho que ele teve naquele mercado.

O lado mais pesado da história vem depois. O nome de Richards acabou associado a um caso de exploração envolvendo jovens modelos masculinos e um culto religioso, tema que já rendeu um documentário da HBO em três partes.

A nova adaptação deve mexer justamente nessa mistura desconfortável entre fama, imagem vendida ao público e bastidores tóxicos. Nas mãos erradas, isso viraria novela de escândalo. Com Van Sant, a chance é de sair algo mais frio, estranho e até incômodo.

Não é um diretor de biografia comportada. Boa parte da filmografia dele gira em torno de identidade, juventude, exclusão e personagens à deriva. Por isso a escalação faz sentido.

Gus Van Sant pode puxar o filme para um lugar menos óbvio

Van Sant não costuma filmar gente famosa como peça de museu. Quando ele entra nesse terreno, o interesse normalmente está no que a fama esconde, não no brilho da superfície.

É aí que esse projeto cresce. A história de Hoyt Richards não parece feita para uma cinebiografia convencional, dessas que marcam infância, sucesso, queda e redenção em ordem. O material é mais torto.

Se o diretor realmente abraçar o lado mais sombrio do caso, o longa pode ficar mais perto da inquietação de séries como The Idol e do veneno de House of Gucci do que de um drama biográfico limpinho. Não no estilo visual, mas na sensação de desconforto.

Galitzine entra em outra fase

Para Nicholas Galitzine, o papel também marca um movimento interessante. No Brasil, muita gente conheceu o ator por Vermelho, Branco e Sangue Azul (Red, White & Royal Blue), romance que segue no Prime Video com dublagem e legenda em português.

Aquela imagem de galã funciona. Mas não sustenta carreira sozinha. Interpretar Hoyt Richards, se o roteiro vier mais pesado do que o material sugere, coloca Galitzine num registro menos confortável e bem mais arriscado.

Isso importa porque ele já vinha sendo tratado como astro em ascensão, especialmente depois do sucesso de público de Vermelho, Branco e Sangue Azul. Agora, a conversa muda um pouco. Menos fantasia romântica, mais drama adulto.

Também ajuda o timing. O nome dele segue circulando por causa de Mestres do Universo (Masters of the Universe), então esse novo filme entra como contrapeso autoral numa fase em que Hollywood ainda tenta decidir que tipo de estrela Galitzine quer ser.

O projeto ainda está cercado de sigilo

Quase tudo que o público normalmente pergunta numa notícia dessas segue sem resposta. Qual é o título? Quem escreveu? Vai para o cinema ou streaming? Quando começa a filmar? Nada disso foi aberto.

Nem mesmo o recorte da história está claro. O filme vai acompanhar a ascensão de Richards na moda? Vai mergulhar no escândalo ligado ao culto? Vai usar o caso como retrato de uma era? Ainda não dá para cravar.

Tem outro detalhe importante. O documentário da HBO relacionado ao caso já existe, mas a nomenclatura em português circula de formas diferentes e a disponibilidade no catálogo brasileiro não foi apresentada junto do anúncio do novo longa. Então, por enquanto, o melhor é separar as duas coisas: o documentário está num formato; o filme de Van Sant vem como outra leitura.

No Brasil, a notícia interessa por dois lados

Primeiro, pelos fãs de Galitzine. O ator cresceu rápido entre o público brasileiro depois do romance do Prime Video e virou nome observado sempre que aparece em projeto novo.

Segundo, por causa de Gus Van Sant. Mesmo fora do circuito blockbuster, ele ainda carrega peso entre quem acompanha cinema mais autoral. Juntar esse diretor a uma história de moda, abuso e manipulação não é um detalhe qualquer.

Por enquanto, não há plataforma, distribuidora ou previsão de estreia no Brasil. E talvez esse seja o ponto que deixa a notícia mais interessante: com tão pouca informação oficial, já dá para sentir que Galitzine escolheu um papel bem mais espinhoso do que a imagem polida que o lançou por aqui.

Trailer