Blumhouse aposta em Gary Dauberman para FNAF 3

Por Rafael Duarte 27/06/2026 às 00:01 6 min de leitura
Blumhouse aposta em Gary Dauberman para FNAF 3
6 min de leitura

Five Nights at Freddy’s 3 mexeu na peça que mais faltava à franquia: o roteiro. A Blumhouse colocou Gary Dauberman, nome de It: A Coisa, Annabelle e A Freira, para escrever o terceiro filme, enquanto Emma Tammi deve seguir na direção. Se a saga queria parar de apanhar pela escrita frouxa dos dois primeiros, o sinal foi claro.

Resumo rápido

Não é detalhe pequeno. Os dois filmes anteriores fizeram barulho nas bilheterias, mas ouviram a mesma crítica repetida: muito fan service, pouco filme. Agora a Blumhouse parece ter entendido que só referência de lore não segura uma franquia de cinema para sempre.

Gary Dauberman entra para atacar o maior defeito da saga

Dauberman não é qualquer contratação. Ele virou um nome forte do terror comercial moderno justamente por saber trabalhar mitologia, sustos e ritmo de estúdio sem perder o público jovem.

No currículo dele estão It: A Coisa, Annabelle, A Freira, A Hora do Vampiro e Until Dawn: Noite do Terror. É um pacote bem diferente da pegada dos roteiros anteriores, que tinham Scott Cawthon mais diretamente envolvido.

Na prática, a troca sugere uma correção de rota. Menos dependência de explicação para fã antigo. Mais foco em tensão, progressão dramática e sustos que funcionem até para quem nunca jogou Five Nights at Freddy’s.

Ficha técnica Detalhes confirmados
Título Five Nights at Freddy’s 3
Formato Filme live-action
Gênero Terror, suspense
Direção Emma Tammi
Roteiro Gary Dauberman
Baseado em Games de Scott Cawthon
Estúdio Blumhouse Productions
Distribuição Universal Pictures
Status Em desenvolvimento
Elenco esperado Josh Hutcherson, Piper Rubio, Elizabeth Lail e Matthew Lillard

Vale um cuidado: Five Nights at Freddy’s 3 aqui é o terceiro filme da série de cinema, não o jogo com o mesmo nome. Parece óbvio para quem acompanha a franquia, mas essa confusão vai aparecer bastante até o projeto ganhar trailer.

Emma Tammi dirigindo no set de Five Nights at Freddy’s, com monitor e animatrônico ao fundo
Emma Tammi dirigindo no set de Five Nights at Freddy’s, com monitor e animatrônico ao fundo (Reprodução)

Emma Tammi fica. O tom pode mudar bastante

Emma Tammi deve retornar à direção. Isso indica continuidade visual, o que faz sentido. Os dois primeiros filmes acertaram em ambientação, design dos animatrônicos e clima de parque de diversões quebrado.

O problema nunca foi a embalagem. Era o recheio. Tinha cena com cara de pesadelo, mas o texto nem sempre segurava a tensão. Quando o filme precisava apertar, ele corria para piscadinha de fã.

Com Tammi dirigindo e Dauberman escrevendo, a combinação fica interessante. Ela mantém a identidade estética. Ele pode dar o peso dramático que faltava. Se funcionar, o terceiro filme pode ser o primeiro da saga a assustar sem pedir desculpa.

Franquia rica, crítica dura

O primeiro Five Nights at Freddy’s, lançado em 2023, terminou a corrida global com cerca de US$ 291 milhões. Não tem como fugir desse número. Para um terror de orçamento contido, foi um estouro comercial.

Já a recepção crítica foi bem mais fria. No Rotten Tomatoes, o filme ficou com reação fraca entre críticos, enquanto o público abraçou bem mais. Essa diferença diz muito sobre a saga até aqui.

O segundo filme, lançado em 2025, manteve o apelo de fandom. Só que o comentário voltou igual: referências demais, desenvolvimento de menos. Dinheiro entrou. Prestígio, nem tanto.

Mas será que isso importa para a Blumhouse? Importa, sim. Franquia que quer durar não vive só de abertura forte. Em algum momento, ela precisa parar de depender do reconhecimento da marca e começar a entregar um terror que se sustente sozinho.

Josh Hutcherson como Mike Schmidt em corredor escuro, com iluminação vermelha e atmosfera tensa
Josh Hutcherson como Mike Schmidt em corredor escuro, com iluminação vermelha e atmosfera tensa (Reprodução)

Quem deve voltar para o terceiro filme

O elenco esperado mantém a espinha da história. Josh Hutcherson deve retornar como Mike Schmidt. Piper Rubio aparece novamente como Abby. Elizabeth Lail segue ligada a Vanessa.

E tem outro nome que pesa mais do que parece: Matthew Lillard. Pela lógica narrativa da franquia, William Afton e sua presença como ameaça continuam sendo peça central para qualquer terceiro capítulo.

Esse retorno ajuda porque a saga já construiu rostos reconhecíveis fora dos animatrônicos. Isso faz diferença. Terror de franquia precisa de monstro marcante, claro, mas também precisa de gente carregando o trauma entre um filme e outro.

Blumhouse quer um terror mais aberto para além do fã de game

Five Nights at Freddy’s sempre teve uma base enorme nos games, no YouTube e nas teorias de internet. Isso explica parte da força comercial. Só que cinema joga outro jogo.

Quem entra numa sala sem conhecer a lore precisa sair com a sensação de ter visto um filme inteiro, não uma coleção de referências. Os dois primeiros nem sempre equilibraram isso. O terceiro parece nascer justamente para tentar esse acerto.

Dauberman é útil por causa disso. Ele sabe montar terror de grande público. Não costuma fazer o horror mais autoral do mundo, nem precisa. A função aqui é outra: deixar a franquia mais afiada, mais tensa e menos travada pela obrigação de agradar só a comunidade.

Blumhouse aposta em Gary Dauberman para FNAF 3 — foto de divulgação
Blumhouse aposta em Gary Dauberman para FNAF 3 — foto de divulgação (Reprodução)

No Brasil, ainda não há data, trailer ou plataforma

Five Nights at Freddy’s 3 segue em desenvolvimento e ainda não tem estreia confirmada no Brasil. Também não existe plataforma definida por aqui, nem informação sobre dublagem em português neste momento.

Isso vale para o filme novo, não para a franquia como um todo. O projeto ainda está na fase em que a escolha do roteirista diz mais do que qualquer imagem oficial. E, honestamente, já diz bastante.

Depois de US$ 291 milhões no primeiro longa, a Blumhouse sabe que a marca vende. O terceiro filme agora precisa provar outra coisa, bem mais difícil: que Five Nights at Freddy’s consegue ser lembrado não só pelo hype, mas pelo medo.

Trailer