Tarântula!
Filme

Tarântula!

★ 6.5 1955 1h 20m Ficção científica · Terror

Em uma pequena cidade no deserto do Arizona, fim dos anos 1950. O Dr. Matt Hastings (John Agar), médico legista local, é chamado para examinar um corpo encontrado em circunstâncias estranhas: um homem morto por acromegalia avançada — doença que…

Diretor
Jack Arnold
Elenco
John Agar, Mara Corday, Leo G. Carroll
Produção
Universal Pictures
Origem
EUA
Título original
Tarantula

Sinopse

Em uma pequena cidade no deserto do Arizona, fim dos anos 1950. O Dr. Matt Hastings (John Agar), médico legista local, é chamado para examinar um corpo encontrado em circunstâncias estranhas: um homem morto por acromegalia avançada — doença que causa deformação do esqueleto humano e que normalmente se desenvolve em anos. Esse caso parece ter avançado em dias.

A pista leva Hastings ao laboratório isolado do biólogo Professor Gerald Deemer (Leo G. Carroll), que pesquisa um nutriente sintético capaz de acelerar o crescimento de organismos vivos. O objetivo é nobre: alimentar a população mundial em expansão. O efeito colateral é catastrófico — em camundongos, em coelhos, em uma tarântula. Quando uma explosão no laboratório libera o aracnídeo experimental no deserto, a aranha continua crescendo. Aos poucos, atinge o tamanho de um prédio. E começa a se alimentar.

Dirigido por Jack Arnold (O Monstro da Lagoa Negra, O Incrível Homem que Encolheu), Tarântula é um dos clássicos cult mais celebrados da ficção científica dos anos 1950 — período em que a era atômica produziu uma onda de "big-bug movies".

Análise — Notícias Flix

7.6
de 10

Tarântula é um daqueles filmes que sobrevivem ao tempo não apesar das limitações técnicas, mas por causa delas. Jack Arnold, em pleno auge criativo entre O Monstro da Lagoa Negra (1954) e O Incrível Homem que Encolheu (1957), entrega aqui um dos melhores filmes do que ficou conhecido como "big-bug genre" da era atômica americana — subgênero que dominou a ficção científica B dos anos 1950 a partir de Eles! (1954) e seus sucessores.

A premissa é mais sofisticada do que parece à primeira vista. Diferente da maioria dos filmes da safra, em que monstros gigantes resultam de bombas nucleares ou cientistas malucos, Tarântula apresenta a mutação como consequência de pesquisa científica bem-intencionada — um nutriente desenvolvido para combater a fome mundial. Leo G. Carroll constrói o Professor Deemer como cientista trágico: nem vilão nem bobo, é um homem cuja ambição humanitária produz consequências fora de seu controle. Em 1955, com Hiroshima ainda na memória recente e o pânico da Guerra Fria pulsando, a metáfora era óbvia para o público. Hoje, ressoa de outras formas — na engenharia genética, na inteligência artificial, no progresso técnico que escapa do controle.

Tecnicamente, o filme é vitrine do que era possível com efeitos práticos da época. A aranha é, na verdade, uma tarântula real filmada em close-up e sobreposta no cenário do deserto via técnica de matte painting reversa — solução engenhosa que Jack Arnold preferiu aos modelos em miniatura usados pelos concorrentes. O efeito tem charme à moda antiga, mas funciona porque a câmera trata a criatura com seriedade. John Agar como herói de ação convencional, Mara Corday como interesse romântico e cientista assistente, e o sheriff comum (Nestor Paiva) compõem o resto do elenco em formato bem clássico.

A curiosidade histórica mais celebrada está nos minutos finais. Quando a tarântula gigante é finalmente abatida por bombardeio aéreo da Força Aérea, o líder do esquadrão de jatos é interpretado por um ator estreante de 25 anos sem créditos no filme: Clint Eastwood. Foi sua segunda aparição em filme — Arnold havia se impressionado com o jovem em outro projeto e o trouxe aqui. Eastwood fica oculto no capacete e na máscara de oxigênio do piloto, e a participação só é identificável retroativamente.

92% no Rotten Tomatoes (sobre 13 críticas modernas), quarto maior sucesso de bilheteria americano em dezembro de 1955 com US$ 1,1 milhão de receita, e referência permanente nos estudos de ficção científica clássica. Para fãs do gênero, é programa garantido. Para quem nunca explorou o cinema B dos anos 1950, é porta de entrada ideal — junto com O Monstro Atômico e A Mosca da Cabeça Branca.

Pontos fortes

  • Jack Arnold em forma máxima entre Lagoa Negra e Homem que Encolheu
  • Premissa sofisticada com mutação causada por ciência bem-intencionada
  • Leo G. Carroll constrói Professor Deemer como cientista trágico
  • Efeitos práticos com tarântula real funcionam por seriedade da câmera
  • Cameo histórico de Clint Eastwood aos 25 anos como líder do esquadrão

Pontos fracos

  • Efeitos visuais inevitavelmente datados para padrões contemporâneos
  • Estrutura narrativa segue convenções rígidas do cinema B dos anos 1950
  • John Agar como herói romântico funciona em modo arquetípico
  • Interesse romântico construído no padrão limitado da época
  • Ritmo lento dos primeiros 30 minutos pode afastar quem busca terror direto
Vale a pena se: Você curte ficção científica clássica dos anos 1950, gosta de O Monstro da Lagoa Negra, A Mosca, Eles! e Godzilla, e topa um filme B com efeitos práticos charmosos onde uma aranha gigante é levada a sério como ameaça atômica.

Ficha técnica

Roteiro
Robert M. Fresco
Fotografia
George Robinson
Trilha sonora
Herman Stein
Edição
William Morgan
Duração
80 min

Curiosidades sobre Tarântula!

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

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