Sinopse
Em uma pequena cidade no deserto do Arizona, fim dos anos 1950. O Dr. Matt Hastings (John Agar), médico legista local, é chamado para examinar um corpo encontrado em circunstâncias estranhas: um homem morto por acromegalia avançada — doença que causa deformação do esqueleto humano e que normalmente se desenvolve em anos. Esse caso parece ter avançado em dias.
A pista leva Hastings ao laboratório isolado do biólogo Professor Gerald Deemer (Leo G. Carroll), que pesquisa um nutriente sintético capaz de acelerar o crescimento de organismos vivos. O objetivo é nobre: alimentar a população mundial em expansão. O efeito colateral é catastrófico — em camundongos, em coelhos, em uma tarântula. Quando uma explosão no laboratório libera o aracnídeo experimental no deserto, a aranha continua crescendo. Aos poucos, atinge o tamanho de um prédio. E começa a se alimentar.
Dirigido por Jack Arnold (O Monstro da Lagoa Negra, O Incrível Homem que Encolheu), Tarântula é um dos clássicos cult mais celebrados da ficção científica dos anos 1950 — período em que a era atômica produziu uma onda de "big-bug movies".
Análise — Notícias Flix
Tarântula é um daqueles filmes que sobrevivem ao tempo não apesar das limitações técnicas, mas por causa delas. Jack Arnold, em pleno auge criativo entre O Monstro da Lagoa Negra (1954) e O Incrível Homem que Encolheu (1957), entrega aqui um dos melhores filmes do que ficou conhecido como "big-bug genre" da era atômica americana — subgênero que dominou a ficção científica B dos anos 1950 a partir de Eles! (1954) e seus sucessores.
A premissa é mais sofisticada do que parece à primeira vista. Diferente da maioria dos filmes da safra, em que monstros gigantes resultam de bombas nucleares ou cientistas malucos, Tarântula apresenta a mutação como consequência de pesquisa científica bem-intencionada — um nutriente desenvolvido para combater a fome mundial. Leo G. Carroll constrói o Professor Deemer como cientista trágico: nem vilão nem bobo, é um homem cuja ambição humanitária produz consequências fora de seu controle. Em 1955, com Hiroshima ainda na memória recente e o pânico da Guerra Fria pulsando, a metáfora era óbvia para o público. Hoje, ressoa de outras formas — na engenharia genética, na inteligência artificial, no progresso técnico que escapa do controle.
Tecnicamente, o filme é vitrine do que era possível com efeitos práticos da época. A aranha é, na verdade, uma tarântula real filmada em close-up e sobreposta no cenário do deserto via técnica de matte painting reversa — solução engenhosa que Jack Arnold preferiu aos modelos em miniatura usados pelos concorrentes. O efeito tem charme à moda antiga, mas funciona porque a câmera trata a criatura com seriedade. John Agar como herói de ação convencional, Mara Corday como interesse romântico e cientista assistente, e o sheriff comum (Nestor Paiva) compõem o resto do elenco em formato bem clássico.
A curiosidade histórica mais celebrada está nos minutos finais. Quando a tarântula gigante é finalmente abatida por bombardeio aéreo da Força Aérea, o líder do esquadrão de jatos é interpretado por um ator estreante de 25 anos sem créditos no filme: Clint Eastwood. Foi sua segunda aparição em filme — Arnold havia se impressionado com o jovem em outro projeto e o trouxe aqui. Eastwood fica oculto no capacete e na máscara de oxigênio do piloto, e a participação só é identificável retroativamente.
92% no Rotten Tomatoes (sobre 13 críticas modernas), quarto maior sucesso de bilheteria americano em dezembro de 1955 com US$ 1,1 milhão de receita, e referência permanente nos estudos de ficção científica clássica. Para fãs do gênero, é programa garantido. Para quem nunca explorou o cinema B dos anos 1950, é porta de entrada ideal — junto com O Monstro Atômico e A Mosca da Cabeça Branca.
Pontos fortes
- Jack Arnold em forma máxima entre Lagoa Negra e Homem que Encolheu
- Premissa sofisticada com mutação causada por ciência bem-intencionada
- Leo G. Carroll constrói Professor Deemer como cientista trágico
- Efeitos práticos com tarântula real funcionam por seriedade da câmera
- Cameo histórico de Clint Eastwood aos 25 anos como líder do esquadrão
Pontos fracos
- Efeitos visuais inevitavelmente datados para padrões contemporâneos
- Estrutura narrativa segue convenções rígidas do cinema B dos anos 1950
- John Agar como herói romântico funciona em modo arquetípico
- Interesse romântico construído no padrão limitado da época
- Ritmo lento dos primeiros 30 minutos pode afastar quem busca terror direto
Ficha técnica
- Roteiro
- Robert M. Fresco
- Fotografia
- George Robinson
- Trilha sonora
- Herman Stein
- Edição
- William Morgan
- Duração
- 80 min
Curiosidades sobre Tarântula!
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Cameo histórico de Clint Eastwood
Em uma de suas primeiras aparições em filme, Clint Eastwood — então com 25 anos e sem créditos no elenco — interpretou o líder do esquadrão de jatos que abate a tarântula gigante no clímax. Está oculto pelo capacete e pela máscara de oxigênio, identificável apenas retroativamente. Foi a segunda colaboração entre ele e Jack Arnold no mesmo ano.
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Direção do mestre Jack Arnold
Jack Arnold é considerado um dos mais importantes diretores de ficção científica B dos anos 1950, com filmografia que inclui O Monstro da Lagoa Negra (1954), Tarântula (1955), O Incrível Homem que Encolheu (1957) e O Monstro do Oceano (1957). Os quatro filmes formam um corpo coeso de experimentação visual e temática que influenciou Steven Spielberg e James Cameron.
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Aranha real reaproveitada em outro filme
A tarântula usada na produção foi posteriormente reaproveitada em O Incrível Homem que Encolheu (1957), também dirigido por Jack Arnold, no clímax em que o protagonista miniaturizado precisa enfrentar a aranha doméstica. A mesma criatura, em escala diferente, virou ícone do cinema científico dos anos 1950.
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Leo G. Carroll antes de O Agente da U.N.C.L.E.
O ator Leo G. Carroll, que interpreta o Professor Deemer, viria a ser eternizado pelo público de TV uma década depois como Alexander Waverly, o chefe da agência de espionagem na série O Agente da U.N.C.L.E. (1964-1968). Tarântula é uma de suas mais marcantes participações de cinema da fase pré-televisão.
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Sucesso de bilheteria de dezembro de 1955
Apesar do orçamento modesto típico da Universal-International para filmes B, Tarântula foi o quarto maior sucesso de bilheteria americano em dezembro de 1955, com US$ 1,1 milhão de receita em locação e exibição — números considerados sólidos para o nicho de ficção científica de gênero da época.
Datas-chave
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Lançamento mundial
Elenco principal