Leviatã
Filme

Leviatã

★ 7.4 2014 2h 20m 14 Crime · Drama

Numa pequena cidade isolada da Península de Kola, no extremo norte da Rússia, Nikolai (Aleksei Serebryakov) é mecânico e dono de uma casa modesta à beira do Mar de Barents. A casa fica em terreno com vista privilegiada — exatamente…

Diretor
Андрей Звягинцев
Elenco
Алексей Серебряков, Елена Лядова, Владимир Вдовиченков
Produção
Non-Stop Productions
Origem
Rússia
Título original
Левиафан

Onde Assistir Leviatã no Brasil

Reserva Imovision Amazon Channel

Sinopse

Numa pequena cidade isolada da Península de Kola, no extremo norte da Rússia, Nikolai (Aleksei Serebryakov) é mecânico e dono de uma casa modesta à beira do Mar de Barents. A casa fica em terreno com vista privilegiada — exatamente o que o prefeito corrupto Vadim (Roman Madyanov) precisa para um projeto pessoal. A prefeitura instaura processo de desapropriação por preço irrisório, e Nikolai recusa.

Cercado por uma esposa em crise (Elena Lyadova), um filho adolescente que o despreza e um sistema judicial calcado no compadrio entre prefeitos, juízes e padres ortodoxos, Nikolai chama um amigo advogado de Moscou (Vladimir Vdovichenkov) para enfrentar o caso. O advogado traz documentos comprometedores — mas em uma cidade onde Igreja, Estado e crime são engrenagens da mesma máquina, ter razão jurídica não significa quase nada.

Dirigido por Andrey Zvyagintsev e escrito com Oleg Negin, Leviatã foi inspirado no caso real do americano Marvin Heemeyer e nos relatos bíblicos de Jó. Levou o prêmio de melhor roteiro em Cannes 2014, venceu o Globo de Ouro de filme estrangeiro e foi indicado ao Oscar.

Análise — Notícias Flix

8.4
de 10

Leviatã é uma das obras mais devastadoras do cinema russo deste século — e isso não é elogio fácil em uma cinematografia que tem Aleksandr Sokurov e os herdeiros de Tarkovski ainda em atividade. Andrey Zvyagintsev, diretor que já havia chamado atenção com O Retorno (Leão de Ouro em Veneza, 2003), entrega aqui filme de fôlego maior: drama particular que opera simultaneamente como retrato político, parábola religiosa e tragédia clássica.

O título não é decorativo. Leviatã é a criatura bíblica do Livro de Jó, o monstro marinho que prova a impotência humana diante de Deus. Também é o livro de Thomas Hobbes sobre o Estado absoluto, no qual o cidadão entrega liberdade em troca de proteção. Zvyagintsev costura as duas referências sem didatismo: a baleia gigante que vemos encalhada na praia de Kola é símbolo, mas também paisagem real, e a prefeitura que esmaga Nikolai não precisa ser metáfora — é prefeitura mesmo.

Aleksei Serebryakov constrói Nikolai como sujeito nem totalmente vítima nem totalmente herói — é homem comum, mecânico que bebe vodka, marido distraído, pai impaciente. A esposa Lília (Elena Lyadova, em performance magnética) carrega o subtexto emocional do filme: ela é o ponto onde o drama doméstico encontra a violência institucional. Roman Madyanov dá ao prefeito Vadim a oleosidade exata de político de cidade pequena que tem padre na agenda e bilhete falso na gaveta.

A fotografia de Mikhail Krichman é capítulo à parte. A paleta cinza-azulada do Ártico russo, as ruínas de igrejas soviéticas, os esqueletos de barcos enferrujando na praia — cada plano é composto como pintura, sem virar exibição estética. Quando finalmente vemos uma celebração religiosa ortodoxa em que o bispo prega virtude enquanto o público sabe da farsa em curso, o filme dá seu golpe mais duro: a Igreja como engrenagem do mesmo sistema que destrói Nikolai.

O ritmo é exigente. As 140 minutos pedem paciência cinéfila, e a tragédia fecha sem catarse — é desfecho calvinista, sem perdão. Mas Leviatã é cinema que cresce na memória depois da projeção, daqueles que reorganizam o jeito de ver o próprio entorno político. Não à toa, a BBC elegeu o 47º melhor filme do século XXI em 2016. É consenso crítico merecido.

Pontos fortes

  • Aleksei Serebryakov sustenta Nikolai como homem comum, sem heroísmo barato
  • Fotografia de Mikhail Krichman compõe a paisagem ártica como pintura
  • Roteiro tece Jó, Hobbes e Marvin Heemeyer sem didatismo
  • Crítica ao tripé Estado-Igreja-crime na Rússia de Putin é cirúrgica
  • Elena Lyadova e Roman Madyanov entregam coadjuvantes magnéticos

Pontos fracos

  • 140 minutos exigem paciência cinéfila e ritmo contemplativo
  • Tragédia fecha sem catarse — desfecho duro pode afastar parte do público
  • Densidade simbólica pede atenção a referências bíblicas e políticas
  • Câmera lenta e silêncios podem ser entendidos como arrastados fora do circuito de festival
Vale a pena se: Você curte cinema autoral europeu no estilo de Outono em Nova York de Sokurov, dramas políticos densos como Filho de Saul, e topa um filme de fôlego longo que pede paciência mas devolve em peso — funciona ainda melhor pra quem leu Hobbes ou conhece Jó.

Bilheteria

Orçamento
US$ 4 mi
Arrecadação mundial
US$ 4 mi
Retorno
1,1× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
Oleg Negin
Fotografia
Михаил Кричман
Trilha sonora
Андрей Дергачёв
Edição
Anna Mass
Duração
140 min

Curiosidades sobre Leviatã

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

Elenco principal

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