Garotos de Programa
Filme

Garotos de Programa

"Onde quer que seja, tenha um bom dia."

★ 7.1 1991 1h 44m 18 Drama

Mike Waters (River Phoenix) é um jovem garoto de programa em Portland, Oregon, que sofre de narcolepsia — adormece sem aviso em momentos de tensão emocional. Filho de uma mãe que desapareceu quando ele era criança, Mike vive nas ruas…

Diretor
Gus Van Sant
Elenco
River Phoenix, Keanu Reeves, James Russo
Produção
New Line Cinema
Origem
EUA
Título original
My Own Private Idaho

Sinopse

Mike Waters (River Phoenix) é um jovem garoto de programa em Portland, Oregon, que sofre de narcolepsia — adormece sem aviso em momentos de tensão emocional. Filho de uma mãe que desapareceu quando ele era criança, Mike vive nas ruas com um grupo de prostitutos que se reúnem em torno de Bob Pigeon (William Richert), figura paterna degradada que cita Shakespeare entre golpes pequenos.

Seu melhor amigo é Scott Favor (Keanu Reeves), filho do prefeito de Portland, herdeiro de uma fortuna que fingirá rejeitar até completar 21 anos — quando, segundo seu plano cínico, voltará para a vida burguesa. Mike é apaixonado por Scott em silêncio. Quando ele menciona o desejo de encontrar a mãe que talvez esteja na Itália, os dois embarcam em uma jornada que atravessa Oregon, Idaho e termina em Roma.

Dirigido e escrito por Gus Van Sant, Garotos de Programa é livre adaptação de Henrique IV de Shakespeare deslocada para o submundo dos garotos de programa do Pacífico Noroeste. Foi exibido em Veneza, onde River Phoenix venceu o prêmio de melhor ator, e se tornou marco do New Queer Cinema americano dos anos 90.

Análise — Notícias Flix

8.6
de 10

Garotos de Programa é um daqueles filmes que, três décadas depois do lançamento, segue sustentando o lugar de obra-prima sem ter perdido o frescor do gesto. Gus Van Sant, ainda no início da carreira que depois renderia Gênio Indomável e Elefante, fez aqui o filme mais arriscado de toda sua filmografia: drama indie sobre prostituição masculina e queerness no Pacífico Noroeste estruturado como livre adaptação de Henrique IV de Shakespeare. O fato de funcionar é quase milagre.

A maior força do filme é a parceria entre River Phoenix e Keanu Reeves no auge do que ambos podiam dar como atores na época. Reeves, vindo de Bill & Ted, entrega Scott Favor com mistura precisa de cinismo aristocrático e ternura culpada — performance que prenuncia a maturidade dramática que ele só voltaria a exibir muitos anos depois. Mas é Phoenix quem destrói. A cena ao redor da fogueira no Idaho, quando Mike confessa o amor por Scott em texto improvisado pelo próprio ator (segundo Van Sant em entrevistas), é uma das mais devastadoras dos anos 90 — e ganhou ainda mais peso depois da morte do ator em 1993, dois anos após o lançamento.

A construção shakespeariana funciona melhor do que tinha o direito de funcionar. O grupo de garotos de programa em torno de Bob Pigeon ecoa Falstaff e seus seguidores em Eastcheap; a herança que Scott rejeita e depois aceita reconstrói o arco do Príncipe Hal; até a coroação simbólica do final — o casamento, a chegada da maturidade burguesa — refaz o instante em que o jovem rei renuncia aos amigos do submundo. Van Sant permite que Phoenix e Reeves recitem trechos de Shakespeare em meio a diálogo coloquial sem destacar a costura, confiando que o público segue.

A fotografia de John Campbell e Eric Alan Edwards captura paisagens americanas com olhar entre o ônibus de Estrada Perdida e o pintor Edward Hopper. Os céus em time-lapse, as rodovias vazias, os motéis de beira de estrada — Van Sant transformou o Pacífico Noroeste em estética visual que depois se espalharia pelo cinema indie americano dos anos 90.

Marco fundador do New Queer Cinema junto com Velocidade Total de Todd Haynes e Edward II de Derek Jarman, Garotos de Programa marca o momento em que o cinema americano permitiu que personagens queer fossem protagonistas plenos sem virar pauta política nem caricatura. River Phoenix venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza. Trinta e cinco anos depois, segue sendo cinema essencial.

Pontos fortes

  • River Phoenix entrega uma das performances mais devastadoras dos anos 90
  • Keanu Reeves prenuncia a maturidade dramática que só voltaria décadas depois
  • Adaptação livre de Shakespeare costurada com elegância no diálogo coloquial
  • Fotografia transforma o Pacífico Noroeste em estética indie reconhecível
  • Marco fundador do New Queer Cinema americano dos anos 90

Pontos fracos

  • Estrutura fragmentada com elipses pode confundir quem espera narrativa linear
  • Ritmo contemplativo exige paciência cinéfila incomum em drama de gênero
  • Citações shakespearianas não declaradas podem passar despercebidas sem repertório prévio
  • Tema cru de prostituição e drogas nos anos 90 envelhece em alguns detalhes
Vale a pena se: Você curte cinema autoral americano dos anos 90 no estilo de Bonequinha Querida, Velocidade Total ou Drugstore Cowboy, gosta de dramas indie de estrada e quer ver dois ícones (River Phoenix e Keanu Reeves) em performances que definiram suas carreiras.

Bilheteria

Orçamento
US$ 3 mi
Arrecadação mundial
US$ 6 mi
Retorno
2,6× o orçamento

Ficha técnica

Roteiro
Gus Van Sant
Fotografia
John J. Campbell
Trilha sonora
Bill Stafford
Edição
Curtiss Clayton
Duração
104 min

Curiosidades sobre Garotos de Programa

Datas-chave

  1. Lançamento mundial

Elenco principal

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