Sinopse
As Aventuras de Pi (Life of Pi no original) é o filme americano de aventura e drama de 2012 dirigido por Ang Lee (O Tigre e o Dragão, O Segredo de Brokeback Mountain, Hulk) a partir de roteiro de David Magee baseado no romance homônimo de 2001 do escritor canadense Yann Martel — best-seller que vendeu mais de 10 milhões de cópias mundialmente e ganhou o Booker Prize 2002. Foi distribuído pela 20th Century Fox em 21 de novembro de 2012 e venceu 4 Oscars em 2013, incluindo Melhor Diretor para Ang Lee — sua segunda vitória na categoria (a primeira foi por Brokeback Mountain, 2006).
A história acompanha Pi Patel — Piscine Molitor Patel — em três etapas etárias. Na infância em Pondicherry, Índia, Pi é interpretado por Gautam Belur e Ayush Tandon; o jovem adulto que sofre o naufrágio é interpretado por Suraj Sharma (estreia em cinema); e o Pi adulto que narra a história em flashback é interpretado por Irrfan Khan (Slumdog Millionaire, Jurassic World). Pi sobrevive ao naufrágio do navio japonês Tsimtsum no Oceano Pacífico, ficando à deriva em um bote salva-vidas com um tigre-de-bengala chamado Richard Parker. Durante 227 dias no oceano, Pi enfrenta a sede, a fome e a presença ameaçadora do tigre.
O elenco coadjuvante traz Rafe Spall como o escritor que entrevista Pi adulto (substituiu Tobey Maguire que filmou primeiro mas foi recast por questões de marketing internacional), Adil Hussain como o pai de Pi, Tabu como a mãe, Gérard Depardieu em participação especial como o cozinheiro francês do navio, e Po-Chieh Wang como o marinheiro budista. A cinematografia ficou a cargo de Claudio Miranda (que venceu o Oscar) e a trilha sonora foi composta por Mychael Danna (que venceu o Oscar pela canção Pi's Lullaby).
Análise — Notícias Flix
As Aventuras de Pi é um dos filmes mais visualmente extraordinários da década 2010 — feito que poucos consideravam possível antes de Ang Lee aceitar o projeto. O romance de Yann Martel havia sido considerado inadaptável por décadas — três cineastas anteriores (M. Night Shyamalan, Alfonso Cuarón, Jean-Pierre Jeunet) tentaram e desistiram. Ang Lee, em fase pós-Brokeback Mountain (2005, Oscar) e Lust Caution (2007, Leão de Ouro em Veneza), aceitou o desafio em 2009 e usou três anos para desenvolver pipeline visual que combinasse atores em água real com tigre digital em CGI fotorealista.
A aposta técnica foi histórica. O tigre Richard Parker é praticamente CGI em 100% das cenas — Lee filmou com tigres reais (Thomas, Jonas, Minh e King) apenas algumas tomadas de referência para os animadores. Os mais de 1.000 VFX shots foram criados pela Rhythm & Hues Studios, empresa que venceu o Oscar de Efeitos Visuais (e que faliu poucos meses depois apesar da vitória — drama da indústria de animação americana que virou caso emblemático). O resultado visual é considerado uma das obras-primas do CGI dos anos 2010, junto com Gravidade (Cuarón, 2013) e Avatar (Cameron, 2009).
A aposta narrativa central é a questão da fé. O filme — sem revelar spoilers — termina com Pi adulto contando duas versões da própria história ao escritor que o entrevista. Uma versão é mística e cheia de animais; outra é prosaica e brutal. Pi pergunta ao escritor qual versão ele prefere. A resposta — universalmente debatida pela crítica e fãs desde 2012 — é alegoria sobre fé, narrativa e escolha de interpretar a realidade. É um dos finais mais discutidos do cinema americano do século 21.
Suraj Sharma estreou em cinema neste filme. Indiano de 17 anos sem experiência atoral, foi escolhido entre 3.000 candidatos para o papel central. Trabalhou meses em piscina simulando 227 dias em alto-mar (na verdade, 5 meses de filmagem em piscina especial de Taipei, Taiwan), perdendo 14 quilos para representar Pi faminto e desidratado. A performance é considerada uma das melhores estreias atorais da década.
A recepção foi excepcional. 87% no Rotten Tomatoes (Certified Fresh), Metacritic 79. Bilheteria mundial de US$ 609 milhões sobre orçamento de US$ 120 milhões. Indicado a 11 Oscars, venceu 4 (Melhor Diretor, Cinematografia, Efeitos Visuais, Trilha Sonora Original) — perdeu Melhor Filme para Argo (Ben Affleck). É considerado o melhor uso de 3D estereoscópico em cinema desde Avatar (2009). No Brasil, disponível no Disney+ (incluído por causa da Fox absorvida pela Disney), Apple TV (compra/aluguel).
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 120 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 609 mi
- Retorno
- 5,1× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- David Magee
- Fotografia
- Claudio Miranda
- Trilha sonora
- Mychael Danna
- Edição
- Tim Squyres
- Duração
- 127 min
Curiosidades sobre As Aventuras de Pi
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Considerado inadaptável por 11 anos
O romance As Aventuras de Pi de Yann Martel foi publicado em 2001 e venceu o Booker Prize em 2002. Por 11 anos, foi considerado inadaptável para cinema — três cineastas anteriores tentaram e desistiram: M. Night Shyamalan (Sexto Sentido), Alfonso Cuarón (futuro vencedor do Oscar por Gravidade) e Jean-Pierre Jeunet (Amélie Poulain). Os desafios incluíam: 80% do filme em alto-mar, tigre como personagem central, e final teológico difícil de adaptar visualmente. Ang Lee aceitou em 2009.
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Tigre Richard Parker é quase 100% CGI
O tigre-de-bengala Richard Parker é praticamente CGI em todo o filme. Ang Lee filmou com 4 tigres reais (Thomas, Jonas, Minh e King) apenas tomadas de referência para os animadores estudarem movimentos. Os mais de 1.000 VFX shots foram criados pela Rhythm & Hues Studios — empresa que venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais 2013. Ironicamente, Rhythm & Hues faliu apenas semanas antes da cerimônia do Oscar, despedindo centenas de animadores. O caso virou símbolo da crise da indústria de VFX americana.
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Suraj Sharma escolhido entre 3.000 candidatos
Suraj Sharma, indiano de 17 anos sem experiência atoral, foi escolhido entre 3.000 candidatos para o papel central de Pi. Ang Lee declarou em entrevistas que procurou cara genuína de adolescente — não queria atores profissionais. Sharma perdeu 14 quilos para representar Pi faminto e desidratado nas últimas cenas, ganhou de volta no início para representar Pi gordinho da Índia. Filmou em piscina especial de Taipei, Taiwan, por 5 meses simulando 227 dias em alto-mar.
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Segundo Oscar de Melhor Diretor para Ang Lee
Ang Lee venceu seu segundo Oscar de Melhor Diretor em 2013 por As Aventuras de Pi — o primeiro foi por O Segredo de Brokeback Mountain em 2006. Lee é um dos poucos cineastas a vencer Melhor Diretor duas vezes sem nunca vencer Melhor Filme — ambos os filmes perderam (Brokeback perdeu para Crash, 2006; Aventuras de Pi perdeu para Argo, 2013). Os outros diretores nessa situação rara são Frank Borzage e Joseph L. Mankiewicz.
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Indicado a 11 Oscars, venceu 4
As Aventuras de Pi foi indicado a 11 Oscars em 2013 — segunda maior nomeação do ano, atrás apenas de Lincoln (12 indicações). Venceu 4: Melhor Diretor (Ang Lee), Melhor Cinematografia (Claudio Miranda), Melhores Efeitos Visuais (Rhythm & Hues) e Melhor Trilha Sonora Original (Mychael Danna). Perdeu Melhor Filme para Argo (dirigido por Ben Affleck mas Affleck não foi indicado a Diretor — controvérsia da época). A canção Pi's Lullaby foi indicada a Canção Original mas perdeu para Skyfall (Adele).
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Final ambíguo gerou debates por anos
O final do filme, em que Pi adulto conta duas versões diferentes da própria história ao escritor que o entrevista, gerou debates intelectuais por mais de uma década. Uma versão é mística (com tigre, hiena, zebra e orangotango); outra é prosaica e brutal (com cozinheiro francês, marinheiro budista, mãe e Pi). Pi pergunta: 'Qual versão você prefere?'. O escritor responde com a versão dos animais. A interpretação alegórica é sobre fé, narrativa e como escolhemos interpretar a realidade — material de teses universitárias e ensaios filosóficos.
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Bilheteria mundial de US$ 609 milhões
As Aventuras de Pi arrecadou US$ 609 milhões mundialmente sobre orçamento de US$ 120 milhões — quinto maior bilheteria de 2012, atrás apenas de Os Vingadores, Skyfall, O Cavaleiro das Trevas Ressurge e O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. É a maior bilheteria da carreira de Ang Lee, superando O Tigre e o Dragão (2000, US$ 213M). No Brasil, atingiu R$ 36 milhões — uma das maiores bilheterias de drama de 2012 no país.
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Disponível no Disney+ Brasil
No Brasil, As Aventuras de Pi está disponível no Disney+ desde 2020 — entrou no catálogo quando a Disney adquiriu a 20th Century Fox (US$ 71,3 bilhões) em 2019. Apple TV e Google Play têm também para aluguel/compra. Não está em catálogo Netflix, Prime Video ou HBO Max. A dublagem brasileira foi feita pela Delart com Marcelo Garcia como Suraj Sharma/Pi jovem e Wendel Bezerra como Irrfan Khan/Pi adulto.
Datas-chave
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Lançamento mundial
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