Sinopse
A Centopéia Humana (The Human Centipede: First Sequence no original) é o filme holandês de body horror de 2009 escrito, dirigido e coproduzido por Tom Six, distribuído nos EUA pela IFC Films em abril de 2010. É o filme que transformou Six em nome reconhecido do horror extremo internacional e abriu caminho para uma subgênero de filmes de provocação que dominaria a década seguinte.
A história acompanha duas turistas americanas, Lindsay (Ashley C. Williams) e Jenny (Ashlynn Yennie), que ficam presas em uma estrada secundária da Alemanha após o pneu do carro furar. Procurando ajuda, batem na porta de uma casa isolada — onde mora o doutor Josef Heiter (Dieter Laser), cirurgião alemão aposentado obcecado em criar a primeira criatura humana de três corpos conjugados.
O experimento é o coração da provocação do filme: Heiter pretende unir as vítimas em sequência, formando o organismo do título. Os detalhes do procedimento, anunciados pelo próprio diretor como 100% medicamente precisos durante a campanha de divulgação, fizeram do filme um fenômeno cultural antes mesmo da estreia comercial — e geraram polêmica imediata sobre limites éticos do horror.
Análise — Notícias Flix
A Centopéia Humana é o filme que provou que provocação pode ser estratégia de marketing. Tom Six, ex-diretor de TV holandesa, idealizou o conceito como uma piada extrema entre amigos — punir um criminoso costurando ele a outra pessoa — e transformou em projeto cinematográfico. Na busca por financiamento, Six escondeu deliberadamente os detalhes mais perturbadores do roteiro dos investidores; eles só descobriram a ideia completa depois do filme finalizado. A jogada funcionou financeiramente, mas é o tipo de processo de produção raro de defender em qualquer escola de cinema séria.
A recepção crítica ficou em 47% no Rotten Tomatoes, número alto pra um filme dessa proposta. A divisão entre críticos foi clara: Roger Ebert deu zero estrelas e dedicou um ensaio ao filme; outros críticos do horror, como Mark Kermode, defenderam-no como exercício formal disciplinado dentro do gênero — Six segura o que mostra em câmera, deixando muito do horror na imaginação do público. Dieter Laser entregou uma das atuações de vilão mais memoráveis do horror dos anos 2010, vencendo Best Actor no Fantastic Fest de 2009. Ashley C. Williams e Ashlynn Yennie deram trabalho físico extremo — passaram dias atadas no set durante as filmagens.
A bilheteria foi modesta — US$ 252 mil mundiais — porque o filme nunca foi pensado para circuito comercial amplo. O sucesso real veio em DVD, streaming e word-of-mouth: virou meme cultural pelos cinco anos seguintes, com paródias em Os Simpsons, South Park (episódio HumancentiPad em 2011) e American Horror Story. O nome do filme passou a ser usado em jornalismo e podcast como sinônimo de horror que ultrapassa o aceitável. Foi o auge do chamado torture porn que começou com Saw (2004) e Hostel (2005).
Tom Six fez duas continuações ainda mais extremas: The Human Centipede 2 (Full Sequence, 2011, banido no Reino Unido inicialmente) e The Human Centipede 3 (Final Sequence, 2015, ambientado em uma prisão americana). O primeiro tem 47% no Rotten Tomatoes; o segundo, 31%; o terceiro, 11%. Todos os três estão disponíveis em plataformas de streaming nicho como Shudder, Roku Channel e AMC+. No Brasil, não estão atualmente em catálogos como Netflix, Disney+ ou Prime Video — apenas via aluguel em serviços de cobertura mais ampla. Filme classificado para maiores de 18 anos, com restrições de exibição em diversos países.
Bilheteria
- Orçamento
- US$ 2 mi
- Arrecadação mundial
- US$ 252 mil
- Retorno
- 0,1× o orçamento
Ficha técnica
- Roteiro
- Tom Six
- Fotografia
- Goof de Koning
- Trilha sonora
- Patrick Savage
- Edição
- Nigel de Hond
- Duração
- 91 min
Curiosidades sobre A Centopéia Humana
-
Investidores não sabiam do roteiro completo
Tom Six escondeu deliberadamente os detalhes mais perturbadores do projeto durante a busca por financiamento. Apresentava como filme sobre um cirurgião que conjuga pessoas, sem revelar a configuração específica do experimento. Os investidores só descobriram a premissa completa depois das filmagens — episódio que entrou pra história do cinema independente como exemplo extremo de marketing pós-produção.
-
O nome de Heiter é referência a Josef Mengele
O cirurgião Josef Heiter, vivido por Dieter Laser, foi nomeado em referência direta a Josef Mengele, médico nazista que conduziu experimentos no campo de concentração de Auschwitz na Segunda Guerra. Tom Six declarou em entrevistas que os experimentos médicos do regime nazista foram inspiração principal para o roteiro — escolha narrativa que gerou debate acadêmico sobre exploração de memória do Holocausto no cinema de horror.
-
Dieter Laser ganhou prêmio de Melhor Ator no Fantastic Fest
Apesar da recepção crítica dividida, Dieter Laser foi reconhecido como um dos vilões mais memoráveis do horror dos anos 2010. Venceu o prêmio de Melhor Ator de Horror no Fantastic Fest 2009 e o filme levou Melhor Filme em três festivais especializados de horror antes mesmo da estreia comercial — Fantastic Fest, Screamfest e Sainte Maxime.
-
Atrizes saíram do casting ao saber do papel
Tom Six mostrava um desenho do conceito do filme para todas as atrizes que apareciam para audição. Várias saíram da sala antes de terminar o teste, recusando o papel ao entender o que seria exigido. Ashley C. Williams e Ashlynn Yennie aceitaram após semanas de discussão e cláusulas contratuais específicas sobre limites de filmagem.
-
Roger Ebert deu zero estrelas — caso raro
O crítico americano Roger Ebert, conhecido por raramente atribuir nota mais baixa que uma estrela, deu zero estrelas para A Centopéia Humana e dedicou ensaio inteiro ao filme. É um dos cinco filmes em toda a carreira de Ebert (mais de 9 mil resenhas) a receber nota mínima — companhia ilustre com Caligula (1980) e Freddy Got Fingered (2001).
-
Bilheteria minúscula vs sucesso cultural massivo
O filme arrecadou só US$ 252 mil em circuito teatral mundial — bilheteria irrelevante para padrão de Hollywood. Mas se tornou fenômeno em DVD, downloads e streaming a partir de 2010, viralizando em fóruns de horror e redes sociais. É um dos primeiros casos documentados de filme de nicho que se sustenta inteiramente por word-of-mouth digital, sem depender de bilheteria.
-
South Park dedicou episódio HumancentiPad em 2011
A primeira temporada da era pós-Centopéia foi marcada por paródias culturais. South Park dedicou um episódio inteiro chamado HumancentiPad em 27 de abril de 2011, conectando o conceito do filme aos termos de uso da Apple iTunes. Os Simpsons, American Horror Story e dezenas de outras séries fizeram referências ao longo dos anos seguintes.
-
Trilogia inteira está no Shudder e AMC+
Os três filmes (2009, 2011, 2015) estão disponíveis nos serviços de streaming especializados em horror Shudder, AMC+, Sundance Now, Philo e (apenas o terceiro) gratuitamente no The Roku Channel. No Brasil, esses serviços têm cobertura limitada — Shudder não está disponível no país. A trilogia pode ser comprada/alugada via Apple TV e Google Play. Classificação 18 anos, com restrições de exibição em vários países.
Datas-chave
-
Lançamento mundial
Elenco principal