A Viagem (1994), remake da clássica novela espírita de Gilberto Braga sobre reencarnação e amor entre almas gêmeas, marcou uma geração na TV Globo. A história ganhará ainda uma versão para o cinema, prevista para estrear entre 2027 e 2028, com Carolina Dieckmann e Rodrigo Lombardi. Veja quem são os atores por trás do elenco original da novela, seus personagens e a carreira de cada um deles.
Christiane Torloni — Diná Toledo

Christiane Torloni deu vida a Diná Toledo, protagonista de A Viagem e irmã que luta para libertar Alexandre da prisão. Casada com Téo, um marido mais jovem, Diná é dominada por um ciúme doentio que ameaça destruir o casamento.
Antes da novela, a atriz paulistana já tinha carreira consolidada desde os 18 anos, quando estreou em Caso Especial na TV Globo. Passou por Selva de Pedra (1986) como a vilã Fernanda, protagonizou Corpo Santo (1987) e Kananga do Japão (1988) na extinta Manchete, além de filmes como Beijo no Asfalto (1981).
Diná se tornou um dos papéis mais marcantes da carreira de Christiane, consolidando-a como protagonista de peso na Globo justamente na década seguinte à sua passagem pela Manchete.
Curiosamente, a atriz vivia em Portugal quando foi convidada, depois de Regina Duarte recusar o papel. Christiane só aceitou porque disseram tratar-se de uma comédia, descobrindo o verdadeiro tom dramático já com as gravações em andamento.
Antônio Fagundes — Otávio Jordão

Antônio Fagundes interpretou Otávio Jordão, renomado advogado criminalista que se recusa a defender Alexandre (Guilherme Fontes) em juízo, já que a vítima do crime era seu amigo pessoal.
Antes de A Viagem, Fagundes já era um nome forte da dramaturgia brasileira, com carreira iniciada no teatro em 1963 pelo Teatro de Arena de São Paulo. Estreou no cinema em 1969 em A Compadecida e acumulava papéis de peso na Globo, como em Rainha da Sucata (1990) e Renascer (1993).
Depois de A Viagem, seguiu como um dos protagonistas mais requisitados da emissora, estrelando O Rei do Gado (1996/97) logo na sequência.
Um detalhe curioso é que, no mesmo ano da novela, Fagundes também produziu a peça de teatro Vida Privada, de Mara Carvalho, mantendo o teatro como atividade paralela mesmo no auge do sucesso televisivo.
Guilherme Fontes — Alexandre Toledo

Guilherme Fontes viveu Alexandre Toledo, o grande vilão de A Viagem, papel considerado o maior da carreira televisiva do ator. Alexandre é o irmão problemático de Diná, Estela e Raul, cujas ações desencadeiam boa parte do drama espiritual da novela.
Antes do papel, Fontes já despontava desde os 18 anos, quando estreou em novelas na primeira versão de Ti Ti Ti (1985). Ganhou destaque também em Mulheres de Areia (1993), vivendo Marcos, pouco antes de assumir Alexandre.
Depois de A Viagem, o ator seguiu atuando, incluindo o papel de par romântico de Sandy em Estrela-Guia (2001), mas nunca mais alcançou a mesma repercussão do vilão de 1994.
Uma curiosidade de bastidor é que Fontes ainda hoje é reconhecido na rua pelo nome Alexandre, mais de 30 anos depois, e afirma que um ator deve se considerar realizado se construiu ao menos um ou dois papéis clássicos ao longo da carreira.
Maurício Mattar — Teodoro Dias (Téo)

Maurício Mattar interpretou Téo, arquiteto casado com Diná (Christiane Torloni) e pai de Patrícia. O personagem, vivido por Tony Ramos na versão original de 1975, está no centro de tramas de vingança, traições e obsessões espirituais que movem a novela.
Antes de A Viagem, Mattar já era um dos galãs mais cobiçados da Globo, com sucessos como Rainha da Sucata (1990), Lua Cheia de Amor (1990) e Pedra Sobre Pedra (1992) no currículo.
Téo se tornou um dos personagens mais lembrados de sua carreira até hoje, mesmo com dezenas de outros trabalhos depois. Atualmente, o ator vive em Minas Gerais, onde mantém um haras e segue também como cantor.
Uma curiosidade real é que, décadas depois, Mattar comentou publicamente sentir influências de energias espirituais ligadas à experiência de viver um personagem tão marcado pela temática de reencarnação da trama.
Andréa Beltrão — Lisandra Barbosa (Lisa)

Andréa Beltrão deu vida a Lisandra Barbosa, a Lisa, namorada do playboy irresponsável Alexandre (Guilherme Fontes). A personagem viveu um relacionamento conturbado, sofrendo as consequências do comportamento problemático do rapaz ao longo da trama.
Antes da novela, Beltrão já vinha de Mulheres de Areia (1993), onde interpretou Tônia, construindo repertório sólido na década de 1990 como atriz versátil, tanto em papéis dramáticos quanto cômicos.
Lisa se tornou um papel de destaque na trajetória da atriz, consolidando-a como uma das intérpretes mais respeitadas de sua geração.
Um dado curioso de bastidor é que o relacionamento tempestuoso entre Lisa e Alexandre gerava tanta identificação do público que reforçou o apelido carinhoso de novela do mocinho vilão associado a Guilherme Fontes.
Lucinha Lins — Estela Toledo

Lucinha Lins interpretou Estela Toledo, irmã da protagonista Diná (Christiane Torloni) e interesse amoroso de um médico ao longo da trama. Estela vivia às voltas com o passado conturbado ligado ao ex-marido Ismael (Jonas Bloch).
Antes de A Viagem, Lins vinha de papéis menores na Globo entre 1991 e 1994, período em que construía experiência antes de assumir uma personagem central de peso dramático como Estela.
O papel rendeu à atriz um dos destaques mais relevantes de sua carreira, abrindo espaço para trabalhos posteriores como Magali do Porto em As Pupilas do Senhor Reitor.
Uma curiosidade real de bastidor é que Lucinha Lins relatou publicamente ter vivido experiências que descreveu como sobrenaturais durante as gravações da novela, dado o clima espírita que envolvia a produção como um todo.
Miguel Falabella — Raul Toledo

Miguel Falabella viveu Raul Toledo, filho mais velho de Dona Maroca e irmão de Diná, Estela e Alexandre. Foi Raul quem, ao lado do cunhado Téo (Maurício Mattar), tomou a decisão de entregar Alexandre à polícia, um dos pontos de virada da trama.
Antes da novela, Falabella já era uma figura multifacetada da TV brasileira, atuando também como apresentador do programa Vídeo Show na mesma época em que gravava A Viagem.
Depois da novela, o ator seguiu consolidando carreira como autor, diretor e apresentador, tornando-se um dos nomes mais versáteis da dramaturgia nacional nas décadas seguintes.
Uma curiosidade de bastidor real é que, durante as gravações, Falabella criticou publicamente a produção da novela por considerá-la exaustiva, com excesso de cenários e falta de foco, atribuindo o problema à adaptação de Solange Castro Neves, e não à autora original Ivani Ribeiro.
Fernanda Rodrigues — Beatriz Toledo Novaes (Bia)

Fernanda Rodrigues interpretou Beatriz Toledo Novaes, a Bia, filha de Estela (Lucinha Lins) e Ismael (Jonas Bloch). Com apenas 15 anos na época, a personagem questionava a ausência do pai e vivia conflitos constantes com a mãe.
Antes de A Viagem, Fernanda já tinha carreira iniciada aos 3 anos de idade, com participação em Os Trapalhões (1991) e estreia em novelas da Globo em Vamp (1991).
Depois da novela, seguiu em produções como Malhação (1995-1997), Corpo Dourado (1998) e, décadas depois, O Outro Lado do Paraíso (2017) e Fuzuê (2023), sua última novela na emissora.
Hoje, aos 45 anos, Fernanda é casada, tem dois filhos e vive em Portugal desde 2024, onde também empreende no ramo fitness, uma curiosidade real sobre os rumos de sua vida após décadas de televisão.
Jonas Bloch — Ismael Novaes

Jonas Bloch deu vida a Ismael Novaes, o vilão ex-marido de Estela (Lucinha Lins), um dos antagonistas centrais que alimentam boa parte dos conflitos familiares da novela ao longo dos 167 capítulos.
Antes de A Viagem, Bloch já construía carreira desde 1958, marcada especialmente por papéis de antagonista em produções como Corpo Santo e Bicho do Mato.
Depois da novela, o ator seguiu vivendo papéis de peso em produções como Bela, a Feia, mantendo até hoje carreira ativa e reconhecida no meio artístico.
Uma curiosidade real e pouco lembrada é que Jonas Bloch, de origem judaico-ucraniana, estudou na Escola de Belas Artes e segue dedicando-se paralelamente à carreira de escultor e desenhista nos intervalos do trabalho como ator.
Ary Fontoura — Tibério Campos

Ary Fontoura interpretou Tibério Campos, o personagem mais cômico da novela, um homem que fala sozinho e ouve vozes, funcionário do escritório de Estela e apaixonado por sua patroa, trazendo alívio cômico a uma trama densa.
Antes de A Viagem, aos 61 anos na época das gravações, Fontoura já tinha trajetória consagrada, com papéis marcantes como o professor Aristóbulo em Saramandaia (1976), o avarento Nonô Correia em Amor com Amor se Paga (1984) e o prefeito Florindo em Roque Santeiro (1985).
Depois da novela, seguiu sendo um dos atores cômicos mais requisitados da Globo, vivendo o deputado corrupto Pitágoras em A Indomada (1997) e Porto dos Milagres (2001), repetindo o mesmo personagem em duas tramas distintas.
Essa repetição do papel de Pitágoras em produções diferentes é um caso raro na teledramaturgia brasileira que mostra a versatilidade cômica consolidada por Fontoura desde Tibério.
Laura Cardoso — Dona Guiomar

Laura Cardoso viveu Dona Guiomar, mãe de Andreza e sogra de Raul (Miguel Falabella), personagem que era espiritualmente influenciada por Alexandre (Guilherme Fontes) ao longo da trama, um dos fios místicos da novela.
Antes de A Viagem, Cardoso já somava mais de quatro décadas de carreira, tendo estreado na televisão em 1950, ano de inauguração da TV brasileira, passando por emissoras como Tupi, TV Rio, Record e Band, além de papéis em As Pupilas do Senhor Reitor (1970) e Mulheres de Areia (1993).
Depois da novela, seguiu atuando por décadas, somando mais de cem personagens ao longo de mais de setenta anos de carreira, incluindo participação em Gabriela (2012).
Uma curiosidade real de bastidor é que a atriz precisou ser hospitalizada para cirurgia durante as gravações, e a produção resolveu o problema dentro da própria trama: Guiomar passaria por uma cirurgia de apêndice, com cenas gravadas no próprio hospital onde Laura estava internada.
Yara Cortes — Dona Maroca

Yara Cortes deu vida a Dona Maroca, mãe de Raul, Diná, Estela e Alexandre, uma mulher bondosa que adorava a neta Patty, funcionando como o coração afetivo e conciliador da família Toledo na novela.
Antes de A Viagem, a atriz já somava décadas de carreira, iniciada em 1938 na Companhia de Teatro Dulcina, com passagem pela TV Tupi desde 1951 e papéis de destaque em novelas da Globo como O Rebu (1974), O Casarão (1976), Dona Xepa (1977) e Ti Ti Ti (1985).
A Viagem foi um dos últimos grandes papéis da carreira de Yara Cortes, que encerrou a trajetória em novelas logo depois, em História de Amor (1995), vivendo a personagem Olga.
Yara Cortes faleceu em 17 de outubro de 2002, aos 81 anos, no Rio de Janeiro, tornando Dona Maroca um dos papéis mais lembrados do fim de sua longa carreira.
Suzy Rêgo — Carmem Rodrigues

Suzy Rêgo interpretou Carmem Rodrigues, melhor amiga de Lisa que se disfarça propositalmente para conseguir trabalhar com Diná, já que esta não contratava mulheres bonitas por ciúme do marido. Carmem guarda segredos importantes e tem ligação com o misterioso Mascarado.
Antes da novela, Rêgo vinha de uma trajetória que começou no mundo da moda, sendo vice-colocada no Miss Brasil de 1984, e estreou na TV em 1989 como Alice em O Salvador da Pátria.
Depois de A Viagem, seguiu carreira ativa, passando pelo SBT e retornando à Globo em 1998 para Era Uma Vez, trabalhando por diferentes emissoras ao longo dos anos 2000 até voltar novamente à Globo em 2011, em Morde & Assopra.
Uma curiosidade real de bastidor é que a própria atriz revelou, décadas depois, um detalhe pouco conhecido sobre o papel do Mascarado e sua ligação com Carmem, reforçando o mistério que cercava a trama até hoje.
Cláudio Cavalcanti — Doutor Alberto Rezende

Cláudio Cavalcanti interpretou o Dr. Alberto Rezende, médico espírita e viúvo, pai de Tato e do pequeno Dudu, que transmitia mensagens de amor e esperança e servia de guia espiritual para outros personagens, como Otávio (Antônio Fagundes).
Antes de A Viagem, o ator já somava décadas de palco e tela, com estreia profissional em 1956, aos dezesseis anos, pelo Teatro Brasileiro de Comédia, acumulando ao longo da vida 41 peças teatrais, 39 novelas e 35 filmes.
O papel de Alberto se tornou um dos mais marcantes de sua carreira, rendendo-lhe milhares de cartas de fãs agradecendo pelas mensagens de conforto transmitidas pelo personagem ao longo da trama.
Para viver o papel, Cavalcanti pesquisou profundamente o espiritismo durante as gravações, o que acabou influenciando suas próprias crenças pessoais: antes ateu, passou a estudar a doutrina espírita. Ele morreu em 29 de setembro de 2013, aos 73 anos.