As Cores do Mal: Preto leva Bilski ao interior

Por Leandro Lopes 10/06/2026 às 09:56 5 min de leitura Atualizado: 10/06/2026
As Cores do Mal: Preto leva Bilski ao interior
5 min de leitura

Resumo rápido

  • Leopold Bilski volta em sequência direta de As Cores do Mal: Vermelho
  • Novo caso envolve crianças desaparecidas e um mistério antigo na Kashubia
  • Adrian Panek dirige e assina o roteiro do thriller polonês da Netflix

As Cores do Mal: Preto (Kolory zła: Czerń) leva a franquia criminal da Netflix para um terreno mais frio e mais sufocante. Depois de As Cores do Mal: Vermelho, a sequência põe Leopold Bilski no interior da Polônia, cercado por desaparecimentos de crianças, lendas locais e uma comunidade que prefere calar.

É uma mudança esperta. Em vez de repetir o choque urbano do primeiro filme, Adrian Panek troca concreto por neblina, isolamento e paranoia. O resultado parece menos procedural e mais thriller psicológico.

As Cores do Mal: Preto sai da cidade e ganha outro tipo de medo

O coração da trama é simples e forte. Bilski é transferido para uma cidade pequena na região da Kashubia, num movimento que soa quase como punição. Só que o rebaixamento vira pesadelo quando uma criança desaparece. Depois, outra.

Não demora para o caso encostar num sumiço antigo nunca resolvido. E aí o filme acha sua melhor ideia: a cidade pequena deixa de ser cenário e vira ameaça. Todo rosto parece esconder alguma coisa. Toda tradição local pesa.

Funciona? No papel, sim. E também como conceito de franquia. As Cores do Mal: Vermelho tinha brutalidade mais urbana; As Cores do Mal: Preto tenta apertar o espectador pelo clima, não só pelo crime.

Aspecto As Cores do Mal: Vermelho As Cores do Mal: Preto
Ambiente Mais urbano Interior da Kashubia
Tom Crime direto e áspero Suspense mais psicológico
Eixo dramático Choque do caso Segredo coletivo da comunidade
Vila pequena e sombria da Kashubia em As Cores do Mal: Preto, com clima de suspense e isolamento
Vila pequena e sombria da Kashubia em As Cores do Mal: Preto, com clima de suspense e isolamento (Reprodução)

Em As Cores do Mal: Preto, Bilski continua no centro

Jakub Gierszał segue como Leopold Bilski, ainda o eixo dramático da série de filmes. Isso importa porque Preto não é derivação solta. É continuação direta, com o mesmo protagonista sendo testado agora num ambiente muito mais hostil.

Marianna Zydek aparece como Ania Górska, assessora de promotoria em sua primeira investigação séria. É uma entrada boa para renovar a dinâmica. De um lado, Bilski carrega a experiência. Do outro, Ania encara o caso sem blindagem.

Andrzej Chyra, Beata Ścibakówna e Robert Gonera reforçam o clima de suspeita coletiva. Não é elenco de apoio decorativo. Num thriller assim, cada figura ao redor precisa parecer útil e, ao mesmo tempo, potencialmente culpada.

Ficha técnica Detalhes
Título original Kolory zła: Czerń
Título no Brasil As Cores do Mal: Preto
Direção Adrian Panek
Roteiro Adrian Panek
País Polônia
Gênero Thriller policial, suspense, crime, drama investigativo
Protagonista Jakub Gierszał como Leopold Bilski
Elenco principal Marianna Zydek, Andrzej Chyra, Beata Ścibakówna, Robert Gonera
Franquia As Cores do Mal
Continuidade Sequência direta de As Cores do Mal: Vermelho
Ambientação Região da Kashubia, interior da Polônia
Plataforma Netflix
As Cores do Mal — foto de divulgação
As Cores do Mal — foto de divulgação (Reprodução)

As Cores do Mal: Preto aposta no velho truque do interior fechado

Cidade pequena com segredo podre no porão não é novidade. Broadchurch, Mare of Easttown e The Chestnut Man já provaram como essa fórmula funciona quando o roteiro entende uma coisa básica: o crime mexe na investigação, mas o silêncio da comunidade mexe mais.

É por aí que As Cores do Mal: Preto parece querer jogar. A presença de lendas locais e sinais perturbadores empurra o filme para uma zona em que a lógica policial divide espaço com medo, superstição e trauma antigo. Fica menos “quem fez?” e mais “o que esse lugar esconde?”.

Boa escolha. Quando o interior entra em cena desse jeito, o cenário passa a engolir o protagonista. Bilski não está apenas resolvendo um caso. Ele está tentando respirar num lugar que parece rejeitar a própria investigação.

Mas dá para ver sem As Cores do Mal: Vermelho? Dá. Só que perde peso. Como o personagem já vem de outro capítulo, ver os dois em sequência deixa mais claro o contraste entre o passado dele e o novo ambiente.

As Cores do Mal: Preto reforça o espaço do thriller europeu na Netflix

A Netflix já entendeu que o catálogo europeu virou um bom atalho para quem gosta de crime mais seco e menos espalhafatoso. Produções polonesas, dinamarquesas e britânicas vêm ocupando esse espaço com tramas mais duras, menos mastigadas e quase sempre mais sombrias.

As Cores do Mal: Preto entra bem nessa linha. Não vende ação grande. Vende atmosfera, desconforto e investigação contaminada pelo lugar. Para quem assina a plataforma no Brasil e curte suspense de clima pesado, é um título fácil de colocar na mesma conversa de The Mire e The Chestnut Man.

No catálogo brasileiro da Netflix, o principal chamariz é justamente esse: uma sequência que não tenta copiar o primeiro filme. Ela troca a brutalidade urbana por frio, mata fechada e segredos antigos. Às vezes isso rende um thriller melhor. Às vezes só deixa tudo mais lento. Bilski agora está num lugar em que ninguém quer falar — e essa costuma ser a pior pista possível.

Trailer