Barbie encabeça o ranking das comédias dos anos 2020

Por Camila Reis 12/06/2026 às 03:51 6 min de leitura
Barbie encabeça o ranking das comédias dos anos 2020
6 min de leitura

Um ranking recente da CBR juntou cinco comédias dos anos 2020 que ajudam a responder uma pergunta boa: o cinema ainda sabe ser engraçado? A lista vai de Barbie, fenômeno global de mais de US$ 1,4 bilhão, até Nirvanna the Band the Show the Movie, um cult quase invisível fora do circuito de festival.

Resumo rapido

  • Barbie, Bottoms, Palm Springs, Nirvanna e No Hard Feelings formam o Top 5
  • Barbie passou de US$ 1,4 bilhão na bilheteria mundial
  • Nirvanna segue sem catálogo amplo no Brasil

A seleção acerta no recorte. Não olha só para bilheteria. Olha para os jeitos diferentes que a comédia sobreviveu nesta década.

Não é só Barbie no meio do caminho

O Top 5 mistura blockbuster, filme de streaming, comédia teen, romance sci-fi e indie de improviso. Isso já diz bastante sobre Hollywood em 2026: a comédia não sumiu, mas perdeu espaço fixo no cinema tradicional.

Barbie entra como o maior evento da lista. Bottoms representa o humor jovem, queer e caótico. Palm Springs é o caso clássico de filme que cresceu no streaming. No Hard Feelings tenta reviver a comédia adulta de estúdio. E Nirvanna the Band the Show the Movie é o nome mais de nicho do grupo.

Filme Marca da lista Dado forte Situação no Brasil
Barbie Sátira pop de grande estúdio 88% no Rotten Tomatoes e mais de US$ 1,4 bilhão Circulação por streaming e aluguel varia por janela
Bottoms Comédia teen queer anárquica 91% no Rotten Tomatoes e 82 no Metacritic Catálogo instável, sem presença ampla constante
Palm Springs Romance de loop temporal 94% no Rotten Tomatoes e 83 no Metacritic Depende de licenciamento e reaparições em streaming
Nirvanna the Band the Show the Movie Indie cult de festival Lançamento muito limitado Sem catálogo amplo no país
No Hard Feelings Comédia adulta de estúdio 70% no Rotten Tomatoes e 59 no Metacritic Já circulou por streaming e TVOD
Barbie (2023) se tornou uma das comédias de maior bilheteria
Barbie (2023) se tornou uma das comédias de maior bilheteria (Reprodução)

Os cinco filmes contam histórias bem diferentes

Barbie, de Greta Gerwig, é a mais fácil de entender. Ela virou meme, debate, fantasia cor-de-rosa e sátira corporativa ao mesmo tempo. Pouca comédia da década conseguiu esse alcance sem virar um produto engessado.

Ryan Gosling rouba cenas como Ken, mas o filme funciona porque Greta Gerwig sabe quando fazer piada e quando cutucar a marca por dentro. O número de bilheteria impressiona. O mais importante, porém, é outra coisa: muita gente foi ao cinema para rir de uma ideia.

Bottoms faz o caminho oposto. Custou pouco, arrecadou pouco e ainda assim ganhou status de cult quase instantâneo. O humor é agressivo, absurdo e mais perto de Fora de Série do que de qualquer comédia romântica tradicional.

Rachel Sennott e Ayo Edebiri seguram um filme que parece disposto a testar o limite da vergonha alheia o tempo todo. Funciona para todo mundo? Nem de longe. Mas 91% no Rotten Tomatoes e 82 no Metacritic mostram que a pancada pegou forte na crítica.

Palm Springs talvez seja o mais redondo do grupo. Max Barbakow pega a estrutura de Feitiço do Tempo e empurra para um romance cansado, irônico e bem menos inocente. Andy Samberg e Cristin Milioti têm química de sobra.

94% no Rotten Tomatoes não aparecem por acaso. Em plena pandemia, ele virou aquele tipo de filme que muita gente descobre em casa e indica para os amigos no mesmo dia. Raro. Ainda mais numa década em que a romcom quase sempre chega mais tímida.

Nirvanna the Band the Show the Movie é o estranho da turma. E isso é elogio. Mistura mockumentary, improviso, prank movie e energia de dupla quebrada tentando transformar caos em piada.

No Hard Feelings entra menos por perfeição e mais por resistência. Jennifer Lawrence compra uma comédia adulta de estúdio num momento em que esse tipo de filme quase sumiu do circuito grande. O resultado não é tão afiado quanto Barbie ou Palm Springs, mas ainda acerta em timing, constrangimento e carisma.

Bilheteria e nota não contam a mesma piada

Tem um contraste ótimo nessa lista. Barbie passou de US$ 1,4 bilhão. Bottoms ficou abaixo de US$ 5 milhões. Os dois aparecem lado a lado porque uma comédia pode dominar o planeta ou virar filme de culto em bolha pequena. As duas coisas valem.

Palm Springs reforça outra tendência dos anos 2020: muita comédia boa encontrou casa fora do lançamento tradicional. Foi assim com ele. Também foi assim, em graus diferentes, com vários filmes adultos que teriam sofrido mais nas bilheterias de um mercado pós-pandemia.

As notas também mostram isso. Palm Springs no Rotten Tomatoes está acima de Barbie e No Hard Feelings, mas nunca teve o mesmo alcance popular. Rir é subjetivo. Distribuição pesa quase tanto quanto roteiro.

No Brasil, o gargalo continua sendo achar esses filmes

Para o leitor brasileiro, a lista tem uma notícia boa e uma ruim. A boa: os cinco títulos ajudam a mapear o melhor da comédia recente. A ruim: quase nenhum deles fica parado no mesmo catálogo por muito tempo.

Barbie e No Hard Feelings foram os que circularam com mais facilidade por aqui, entre streaming e aluguel digital. Palm Springs entra e sai conforme o licenciamento. Bottoms nunca teve permanência confortável. Nirvanna the Band the Show the Movie, por enquanto, é praticamente busca de festival.

Também existe uma diferença clara de acesso. Os filmes de estúdio costumam chegar com mais empurrão de marketing e, quando voltam ao catálogo, reaparecem com mais facilidade para o público casual. Os independentes dependem de sorte, timing e janela certa.

No fim, o ranking funciona porque não tenta fingir que a comédia dos anos 2020 seguiu um único caminho. Um filme virou fenômeno mundial, outro vive de recomendação boca a boca e um terceiro mal consegue atravessar a fronteira do circuito cult. No Brasil, achar Barbie é questão de janela. Achar Nirvanna ainda parece missão paralela.

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