Boruto: Two Blue Vortex deve guiar a próxima fase do anime de Boruto, e isso traz um recado meio amargo para parte do fandom: os Ōtsutsuki não vão sumir. Se você ainda espera uma volta completa ao clima de missões ninja, rivalidade de vilas e estratégia no tatame, melhor ajustar a expectativa agora.
Não estamos falando de um “novo anime de Naruto”. É a continuação de Boruto. E essa franquia já escolheu outro teto: Karma, Shinju, Onipotência e inimigos quase divinos.
Não é Naruto de novo
A crítica dos fãs existe faz tempo. Muita gente nunca engoliu bem a virada que começou no fim de Naruto Shippuden com Kaguya Ōtsutsuki e explodiu de vez em Boruto: Naruto Next Generations.
Só que a estrutura atual da série depende disso. Boruto: Two Blue Vortex, continuação do mangá após o timeskip, foi construída em cima do eixo Ōtsutsuki. Tirar esse núcleo agora seria desmontar a própria história.
É simples. O próximo anime de Boruto, quando voltar, tende a adaptar justamente esse material. Então não faz sentido esperar um recuo brusco para o “feijão com arroz” da fase clássica.
| Ficha rápida | Dados confirmados |
|---|---|
| Franquia | Boruto / Naruto |
| Anime base | Boruto: Naruto Next Generations |
| Continuação atual | Boruto: Two Blue Vortex |
| Estúdio do anime | Pierrot |
| Criadores da franquia | Masashi Kishimoto, Ukyō Kodachi e Mikio Ikemoto |
| Formato atual | Anime encerrado em 293 episódios; mangá em andamento |
| Estreia do anime | 05/04/2017 |
| Início de Two Blue Vortex | agosto de 2023 |
| Gênero | Ação, aventura, shōnen, fantasia, artes marciais |
| Dublagem em pt-BR | Sim, em parte do anime |

Os Ōtsutsuki viraram o teto da franquia
Parte do público rejeita essa linha por um motivo claro: Naruto nasceu mais “humano”. Era guerra entre vilas, trauma de clãs, amizade quebrada e rivalidade pessoal. Mesmo quando a escala crescia, ainda existia chão.
Com os Ōtsutsuki, o jogo mudou. Entraram alienígenas quase divinos, poderes herdados por marca, reencarnação cósmica e uma escalada que lembra mais Dragon Ball Super do que o exame chūnin.
Funciona para todo mundo? Nem perto disso.
Kaguya já tinha sido vista por muita gente como uma ruptura brusca no final de Shippuden. Boruto não corrigiu essa sensação. Fez o oposto: aprofundou Momoshiki, Isshiki, Karma e todo o pacote sobrenatural.
Mas há um motivo editorial para a insistência. Naruto e Sasuke elevaram tanto a régua no fim da série original que repetir guerras ninja tradicionais soaria pequeno demais. A franquia decidiu subir mais um andar, mesmo que isso custe parte do público antigo.
Two Blue Vortex muda o tom, não a direção
A boa notícia, para quem anda cansado da bagunça de poder, é que Two Blue Vortex tenta recolocar emoção no centro. O timeskip muda a dinâmica entre Boruto e Kawaki, e a Onipotência mexe direto com identidade, memória e isolamento.
Isso pesa mais do que parece. Boruto deixa de ser só o garoto rebelde do começo e vira um personagem encurralado pela própria imagem, quase como um Sasuke invertido.
Ao mesmo tempo, o arco não abandona a maluquice cósmica. Os Shinju, seres ligados à Árvore Divina, puxam a trama para um tipo de ameaça menos “ninja de vila” e mais terror biológico com superpoder.
Hidari, ligado a Sasuke, é um bom exemplo. Ele não funciona como clone genérico de fanfic. A ideia ali é bem mais estranha, e também mais inquietante.
Então fica o retrato real da fase atual: Two Blue Vortex tenta corrigir a execução, não o conceito. Quem odeia os Ōtsutsuki em si talvez continue odiando. Quem reclamava mais do jeito como Boruto contava essa história pode encontrar algo melhor aqui.

No Brasil, a entrada mais fácil agora é pelo mangá
Até 10/06/2026, a volta do anime de Boruto segue sem data oficial divulgada. Por isso, a forma mais estável de acompanhar essa fase hoje é pelo mangá, publicado oficialmente no Manga Plus, da Shueisha.
O anime de Boruto: Naruto Next Generations teve circulação no Brasil pela Crunchyroll, com dublagem brasileira disponível em parte do catálogo. Como o catálogo muda por janela, vale checar direto no app antes de começar a maratona.
E a dublagem ajuda, sim. Principalmente para quem largou a franquia no meio e quer voltar sem encarar quase 300 episódios legendados.
Há também um detalhe importante para o fã casual: não espere que a adaptação futura esconda o tema mais polêmico da série para agradar quem sente saudade do clássico. Se o anime realmente entrar em Two Blue Vortex, vai ter Karma, Shinju e Ōtsutsuki na veia.
O problema não é só a ideia, mas como ela foi vendida
Muita discussão online trata os Ōtsutsuki como se fossem o erro absoluto da franquia. Não acho tão simples. O conceito de ameaça externa, antiga e quase mítica até combina com o nível absurdo que Naruto alcançou no fim.
O tropeço veio na execução. Kaguya apareceu tarde demais. Alguns vilões de Boruto pareciam mais função de roteiro do que personagem. E a escalada ficou tão alta que o drama local perdeu espaço.
Two Blue Vortex tenta recuperar esse peso emocional sem desmontar a cosmologia que já existe. É uma aposta arriscada, mas coerente com tudo que a franquia fez até aqui.
No Brasil, quem quiser entender para onde a série está indo já pode começar pelo mangá oficial e revisar o anime nas plataformas que ainda o mantêm em catálogo. A dúvida que sobra não é se os Ōtsutsuki continuam — isso já está praticamente dado —, mas se o próximo anime vai conseguir vender essa mesma ideia de um jeito menos indigesto.